SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Na condução de um paciente com complicações agudas do Diabetes mellitus, é importante diferenciar cetoacidose diabética e coma hiperosmolar não cetótico.Qual das características abaixo é menos comum no coma hiperosmolar?
Dor abdominal é comum na Cetoacidose Diabética (CAD), mas MENOS comum no Coma Hiperosmolar Não Cetótico (CHNC).
A dor abdominal é um sintoma gastrointestinal proeminente na cetoacidose diabética (CAD) devido à acidose metabólica grave, que pode causar náuseas, vômitos e dor abdominal difusa. No coma hiperosmolar não cetótico (CHNC), a ausência de cetose e acidose metabólica significativa torna a dor abdominal um achado muito menos frequente, sendo os sintomas neurológicos e a desidratação os mais marcantes.
As complicações agudas do Diabetes Mellitus, como a Cetoacidose Diabética (CAD) e o Coma Hiperosmolar Não Cetótico (CHNC), são emergências médicas que exigem reconhecimento e manejo rápidos. Embora ambas se manifestem com hiperglicemia grave e desidratação, suas fisiopatologias e apresentações clínicas possuem diferenças cruciais que guiam o diagnóstico e tratamento. O CHNC é mais comum em pacientes idosos com Diabetes Mellitus tipo 2, frequentemente desencadeado por infecções ou outras condições que levam à desidratação severa. No CHNC, os níveis glicêmicos são geralmente muito mais elevados (frequentemente >600 mg/dL) e a osmolaridade plasmática é marcadamente alta (>320 mOsm/kg), resultando em sintomas neurológicos mais proeminentes, como letargia, confusão, convulsões e coma, devido à desidratação cerebral. A ausência de cetose significativa e acidose metabólica é a característica distintiva. Por outro lado, a CAD, mais comum em DM tipo 1, envolve hiperglicemia, cetonemia e acidose metabólica, levando a sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal e respiração de Kussmaul. A dor abdominal é uma queixa comum na CAD, presente em até 50-75% dos casos, e pode mimetizar um abdome agudo, sendo causada pela acidose metabólica e irritação peritoneal. No CHNC, a ausência de acidose significativa faz com que a dor abdominal seja uma característica muito menos comum. Reconhecer essas distinções é vital para o manejo adequado, pois o tratamento, embora compartilhe princípios como hidratação e insulinoterapia, difere nas taxas de infusão e na necessidade de reposição de eletrólitos, especialmente potássio.
A CAD é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia/cetonúria, enquanto o CHNC apresenta hiperglicemia mais acentuada, hiperosmolaridade plasmática grave e ausência ou cetose mínima, sem acidose significativa.
A dor abdominal na CAD é atribuída à acidose metabólica grave, que pode causar irritação peritoneal, gastroparesia e distensão gástrica. No CHNC, como não há acidose significativa, a dor abdominal é rara.
No CHNC, devido à hiperosmolaridade plasmática extrema e desidratação cerebral, os sintomas neurológicos são mais acentuados, variando de letargia e confusão a convulsões e coma, sendo mais graves que na CAD.
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