FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023
Paciente, 3 anos, sexo feminino, com relato de prurido perineal e perianal há 2 semanas, mais comum à noite, não há relato de febre, diarreia ou vômito. Exame físico constata região perianal irritada e avermelhada, com tônus do esfíncter anal normal sem evidências de trauma de penetração, região perineal avermelhada e escoriada e secreção vaginal esbranquiçada. Sobre o caso, é INCORRETO afirmar:
Prurido perianal noturno em criança + vulvovaginite = Oxiuríase ou higiene inadequada. Abuso sexual deve ser considerado com sinais específicos.
O prurido perianal noturno em crianças é um sintoma clássico de oxiuríase (Enterobius vermicularis), que pode levar à irritação e vulvovaginite secundária. Embora o abuso sexual deva sempre ser uma consideração em casos de sintomas genitais em crianças, a ausência de sinais de trauma ou outros indicadores de abuso, juntamente com a apresentação típica de oxiuríase, torna essa hipótese menos provável *neste cenário específico*, mas nunca deve ser totalmente descartada sem uma avaliação completa.
O prurido perianal e perineal em crianças é uma queixa comum na pediatria, e a investigação de suas causas é fundamental para um diagnóstico e tratamento adequados. A oxiuríase, causada pelo parasita Enterobius vermicularis, é a etiologia mais frequente, manifestando-se tipicamente com prurido noturno intenso, pois as fêmeas migram para a região perianal para depositar ovos. Este prurido pode levar a escoriações, irritação local e infecções bacterianas secundárias. Em meninas, a migração dos vermes para a vagina pode causar vulvovaginite, com sintomas como secreção vaginal esbranquiçada, eritema e irritação perineal, como descrito no caso. Outras causas de prurido e vulvovaginite incluem higiene inadequada (tanto a falta quanto o excesso de limpeza com produtos irritantes), dermatites e infecções bacterianas ou fúngicas. A avaliação de abuso sexual é uma consideração importante em qualquer criança com sintomas genitais, mas deve ser baseada em um conjunto de evidências, incluindo histórico, exame físico detalhado e contexto psicossocial. O tratamento da oxiuríase envolve medicamentos antiparasitários como mebendazol ou albendazol, com repetição da dose após duas semanas para eliminar ovos remanescentes. Medidas de higiene, como cortar as unhas curtas, lavar as mãos frequentemente e trocar a roupa íntima diariamente, são essenciais para prevenir a reinfecção. É crucial que o médico saiba diferenciar as causas e conduzir a investigação de forma sensível e completa, garantindo o bem-estar da criança.
Os sintomas clássicos da oxiuríase incluem prurido perianal e perineal intenso, especialmente à noite, que pode levar a irritação, escoriações e infecções secundárias. Em meninas, os vermes podem migrar para a vagina, causando vulvovaginite e secreção.
O diagnóstico de oxiuríase é feito principalmente pelo teste da fita adesiva (método de Graham), onde uma fita adesiva é aplicada na região perianal pela manhã, antes da higiene, para coletar ovos que são depositados durante a noite. A fita é então examinada microscopicamente.
Além da oxiuríase, outras causas comuns incluem higiene precária (maceração, acúmulo de fezes), higiene exagerada (uso de sabonetes irritantes), dermatite de contato, infecções bacterianas ou fúngicas, e, em casos mais raros, abuso sexual, que deve ser sempre investigado com cautela.
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