Tratamento Cirúrgico do Pterígio e Complicações

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Com relação ao tratamento cirúrgico do pterígio, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Atualmente, o interferon-alfa-2-B é o antimetabólito mais utilizado, tanto no peroperatório quanto no pós-operatório da cirurgia de pterígios recidivados, visando redução das taxas de nova recidiva.
  2. B) Numa cirurgia de um pterígio já recidivado diversas vezes, a técnica considerada de eleição é a exérese do pterígio e de todo tecido fibroso após isolamento do músculo reto, cauterização extensa dos vasos episclerais, seguida do transplante de membrana amniótica (“P.E.R.F.E.C.T. technique”).
  3. C) O afinamento escleral tardio pode ser considerado uma das complicações mais comuns após o tratamento adjuvante realizado com radiação ionizante por estrôncio 90.
  4. D) O metilcianoacrilato, adesivo tecidual utilizado para a adesão do enxerto ao leito escleral na técnica do transplante conjuntival autólogo, permite a realização de cirurgias com menos suturas e possivelmente com taxas de recidiva mais baixas.

Pérola Clínica

Radiação por Estrôncio 90 no pterígio → Risco elevado de afinamento escleral tardio e necrose.

Resumo-Chave

A betaterapia com Estrôncio 90, embora eficaz na redução de recidivas, está associada a complicações graves a longo prazo, como o afinamento escleral progressivo.

Contexto Educacional

O tratamento do pterígio evoluiu significativamente de técnicas de 'esclera nua' para abordagens reconstrutivas. A recidiva continua sendo o maior desafio cirúrgico, o que levou ao uso histórico de adjuvantes como a Mitomicina C e a betaterapia (Estrôncio 90). Contudo, a toxicidade desses métodos para o estroma escleral é uma preocupação constante. A técnica P.E.R.F.E.C.T (Pterygium Extended Removal Followed by Extended Conjunctival Transplantation) é uma variação agressiva do transplante autólogo, mas não envolve necessariamente membrana amniótica como primeira escolha em todos os casos. O conhecimento das complicações tardias da radiação é essencial para o acompanhamento de pacientes operados em décadas anteriores, que podem apresentar quadros de esclerite infecciosa ou afinamento grave.

Perguntas Frequentes

Por que o Estrôncio 90 causa afinamento escleral?

O Estrôncio 90 emite radiação beta, que é utilizada para inibir a proliferação fibrovascular no leito cirúrgico do pterígio. No entanto, essa radiação causa danos isquêmicos e citotóxicos crônicos aos ceratócitos e vasos episclerais, resultando em uma esclera avascular que pode sofrer afinamento progressivo ou até perfuração anos após o tratamento.

Qual é a técnica padrão-ouro para evitar recidiva de pterígio?

Atualmente, a técnica de exérese de pterígio com transplante conjuntival autólogo (ou transplante de limbo) é considerada o padrão-ouro. Ela apresenta as menores taxas de recidiva e um perfil de segurança superior em comparação ao uso de antimetabólitos isolados ou radiação.

O uso de adesivos teciduais é superior à sutura?

O uso de adesivos de fibrina (cola biológica) em vez de suturas reduz significativamente o tempo cirúrgico, o desconforto pós-operatório e a inflamação local. Embora alguns estudos sugiram taxas de recidiva ligeiramente menores, sua principal vantagem é o conforto do paciente e a recuperação mais rápida.

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