Amenorreia: Fisiopatologia, Diagnóstico Diferencial e Manejo

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

Com relação ao tópico amenorreia, analise as afirmativas a seguir:I. Os ductos Mullerianos, durante o desenvolvimento embrionário, dão origem à parte superior da vagina, ao colo, ao corpo uterino e às tubas uterinas. II. A agenesia Mulleriana total tem apresentação clínica que pode se confundir com a síndrome de insensibilidade androgênica. Esta última tem cariótipo de 46 XY e testículos funcionantes. III. A história de fogachos, ressecamento vaginal associados à amenorreia sugerem hipogonadismo hipogonadotrófico. IV. Acredita-se que os transtornos alimentares impactem a função ovulatória por meio de fatores hormonais, incluindo a insulina, o glucagon e a leptina. V. A amenorreia associada a exercícios físicos intensos se deve à alteração na pulsatilidade do GnRH, hormônio liberador das gonadotrofinas, em função da elevação dos níveis de opiáceos endógenos (β – endorfinas) observados nessas pacientes. Estão INCORRETAS as afirmativas.

Alternativas

  1. A) I, II e III apenas.
  2. B) I, II e V apenas.
  3. C) I, III, IV e V apenas.
  4. D) I, II, III, IV e V.

Pérola Clínica

Todas as afirmativas sobre amenorreia estão INCORRETAS. Revisar fisiologia e etiologia.

Resumo-Chave

Esta questão exige conhecimento aprofundado sobre a fisiopatologia e etiologia da amenorreia. É crucial entender o desenvolvimento mülleriano, a diferenciação entre hipogonadismo hipo e hipergonadotrófico, e os mecanismos hormonais envolvidos na amenorreia por estresse ou transtornos alimentares.

Contexto Educacional

A amenorreia, definida como a ausência de menstruação, pode ser primária (nunca menstruou) ou secundária (cessação da menstruação após um período de ciclos regulares). Seu diagnóstico diferencial é vasto e exige uma compreensão aprofundada da fisiologia reprodutiva e do desenvolvimento embrionário. A afirmativa I está incorreta porque os ductos müllerianos formam as tubas uterinas, útero, colo e os dois terços superiores da vagina, sendo o terço inferior derivado do seio urogenital. A afirmativa II, embora corretamente mencione a confusão entre agenesia mülleriana e SIAc, está incorreta ao implicar que a agenesia mülleriana total tem cariótipo 46,XY; a agenesia mülleriana (Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser) tipicamente ocorre em indivíduos 46,XX com ovários funcionantes. A afirmativa III está incorreta, pois fogachos e ressecamento vaginal associados à amenorreia são sintomas de deficiência estrogênica, que sugere hipogonadismo hipergonadotrófico (falência ovariana), onde há FSH e LH elevados, e não hipogonadotrófico. As afirmativas IV e V abordam a amenorreia hipotalâmica funcional. A afirmativa IV está incorreta ao listar insulina e glucagon como os principais fatores hormonais que impactam a função ovulatória em transtornos alimentares; embora possam ter algum papel, o foco principal é na leptina, grelina e neuropeptídeos que afetam o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A afirmativa V está incorreta na sua totalidade, pois a amenorreia associada a exercícios intensos é de fato devido à alteração na pulsatilidade do GnRH, mas a elevação dos opiáceos endógenos (β-endorfinas) é um dos mecanismos que INIBEM o GnRH, e não o contrário.

Perguntas Frequentes

Quais estruturas são formadas pelos ductos müllerianos durante o desenvolvimento embrionário?

Os ductos müllerianos dão origem às tubas uterinas, ao útero, ao colo uterino e à parte superior da vagina. A parte inferior da vagina tem origem no seio urogenital.

Como diferenciar hipogonadismo hipogonadotrófico de hipergonadotrófico na amenorreia?

No hipogonadismo hipogonadotrófico, os níveis de FSH e LH são baixos, enquanto no hipergonadotrófico (falência ovariana primária), os níveis de FSH e LH são elevados devido à ausência de feedback negativo dos ovários. Fogachos sugerem hipergonadotrófico.

Qual o mecanismo da amenorreia em atletas ou em casos de transtornos alimentares?

A amenorreia hipotalâmica funcional, comum em atletas e transtornos alimentares, é causada por uma alteração na pulsatilidade do GnRH, frequentemente mediada por estresse, baixo peso, e alterações em hormônios como leptina e β-endorfinas, que inibem a secreção de GnRH.

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