Preservação de Córneas: O Papel do Optisol GS

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Com relação à preservação e avaliação de córneas captadas para ser utilizadas em transplantes, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O meio Optisol GS mantém o tecido viável por cerca de duas semanas quando mantido à temperatura de 4ºC.
  2. B) A criopreservação da córnea em congeladores de CO2 ou nitrogênio é o método mais utilizado para manutenção da viabilidade da córnea nos bancos de olhos , em nosso meio.
  3. C) O método correto preconizado para avaliação da qualidade de uma córnea após a captação, sugere que o examinador deva usar lupa manual de 2,5 aumentos e analisar o tecido sob luz fluorescente e difusa.
  4. D) A viabilidade tecidual é maior quando o globo ocular é preservado inteiro, do que quando apenas o anel corneoescleral é preservado.

Pérola Clínica

Optisol GS = Preservação de córnea a 4°C por até 14 dias (padrão-ouro em bancos de olhos).

Resumo-Chave

O Optisol GS é o meio de preservação mais utilizado mundialmente para armazenamento hipotérmico (4°C) de córneas, garantindo a viabilidade do endotélio por até duas semanas antes do transplante.

Contexto Educacional

A preservação de tecidos oculares evoluiu significativamente com o desenvolvimento de meios de cultura especializados. O Optisol GS revolucionou a oftalmologia ao permitir que o transplante de córnea deixasse de ser uma cirurgia de emergência para se tornar um procedimento eletivo programado. A manutenção da temperatura a 4°C reduz a atividade metabólica celular, enquanto os componentes do meio protegem contra o estresse oxidativo e a morte celular programada (apoptose). Para o residente de oftalmologia, é fundamental compreender que a transparência da córnea no pós-operatório depende quase exclusivamente da saúde do endotélio do doador. Portanto, o conhecimento sobre os prazos de validade dos meios de preservação e os critérios de exclusão de doadores (como doenças infectocontagiosas e baixa contagem celular) é essencial para a prática clínica e para a gestão de filas em bancos de olhos.

Perguntas Frequentes

Como o Optisol GS atua na preservação da córnea?

O Optisol GS é um meio de preservação hipotérmica que combina uma base de cultura celular (como o Meio Eagle Modificado) com agentes osmóticos (dextran), precursores de ATP, antioxidantes e antibióticos (gentamicina e estreptomicina). O dextran é crucial para manter a córnea desidratada, evitando o edema estromal excessivo durante o armazenamento a 4°C. Os nutrientes e antioxidantes sustentam o metabolismo basal das células endoteliais, que são essenciais para a transparência do enxerto após o transplante. Esse meio permite que a córnea seja utilizada com segurança por até 14 dias, embora a maioria dos cirurgiões prefira utilizá-la nos primeiros 7 a 10 dias.

Quais são os métodos de avaliação da córnea no banco de olhos?

A avaliação da córnea captada é rigorosa e envolve várias etapas. Inicialmente, realiza-se uma inspeção macroscópica e em lâmpada de fenda para identificar defeitos epiteliais, infiltrados, cicatrizes ou sinais de cirurgias prévias. No entanto, a etapa mais crítica é a microscopia especular, que permite a contagem e análise da morfologia das células endoteliais (densidade celular, polimegetismo e pleomorfismo). Córneas com densidade endotelial abaixo de 2000-2500 células/mm² geralmente são descartadas para fins ópticos. Diferente do que sugerem métodos antigos, o uso de lupas manuais simples é insuficiente para garantir a qualidade tecidual necessária para um transplante bem-sucedido.

Qual a vantagem de preservar o anel corneoescleral em vez do globo inteiro?

A preservação do anel corneoescleral (apenas a córnea com uma borda de esclera) em meios líquidos como o Optisol GS é superior à preservação do globo ocular inteiro em câmara úmida. Na preservação do globo inteiro, a viabilidade endotelial cai drasticamente após 24-48 horas devido ao acúmulo de metabólitos tóxicos no humor aquário e à autólise tecidual. Já o anel corneoescleral imerso em meio de preservação tem acesso direto a nutrientes e antibióticos, além de permitir uma troca constante de substâncias, o que estende a viabilidade para até 14 dias. Isso facilita a logística de transporte e a realização de exames laboratoriais antes da cirurgia.

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