UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Com relação a patologias ginecológicas benignas, julgue o próximo item. Mulher multípara que tenha sido submetida a curetagens uterinas pós-aborto apresenta maior risco de adenomiose em comparação a uma mulher nulípara da mesma idade.
Multiparidade e curetagens uterinas pós-aborto ↑ risco de adenomiose.
A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial no miométrio. Fatores que aumentam o trauma ou a invasão do endométrio no miométrio, como multiparidade e procedimentos uterinos (curetagens), são considerados fatores de risco para o desenvolvimento da condição.
A adenomiose é uma condição ginecológica benigna caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Essa invasão pode levar a sintomas como menorragia (sangramento menstrual intenso), dismenorreia (cólicas menstruais severas) e dor pélvica crônica, impactando significativamente a qualidade de vida das mulheres afetadas. A fisiopatologia exata da adenomiose ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que o trauma na zona juncional entre o endométrio e o miométrio desempenhe um papel crucial. Fatores que aumentam esse trauma ou a remodelação uterina, como a multiparidade (múltiplas gestações e partos) e procedimentos uterinos invasivos (como curetagens uterinas pós-aborto ou cesarianas), são consistentemente associados a um maior risco de desenvolvimento da doença. Portanto, uma mulher multípara com histórico de curetagens uterinas pós-aborto, que representam um trauma mecânico ao útero, realmente apresenta um risco aumentado de desenvolver adenomiose em comparação com uma mulher nulípara da mesma idade. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética e confirmado por histopatologia após histerectomia.
Os principais fatores de risco para adenomiose incluem multiparidade, idade avançada (geralmente >35 anos), histórico de procedimentos uterinos como curetagens e cesarianas, e possivelmente endometriose.
A curetagem uterina, ao causar trauma na junção endométrio-miométrio, pode facilitar a invasão do tecido endometrial para dentro do miométrio, contribuindo para o desenvolvimento da adenomiose.
Enquanto a adenomiose é a presença de tecido endometrial dentro do miométrio (parede muscular do útero), a endometriose é a presença de tecido endometrial fora do útero, em outros órgãos pélvicos ou distantes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo