Dengue: Sinais de Alarme e Critérios de Suspeita

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Com relação à dengue, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A fêmea do mosquito torna-se infectante de 8 a 12 dias depois de alimentar-se com sangue contaminado e assim continua pelo resto da sua vida, podendo, inclusive, transmitir a infecção aos seu ovos por via transovariana.
  2. B) Um caso suspeito de dengue consiste em toda a pessoa que viva ou tenha viajado nos últimos 14 dias para área onde esteja ocorrendo a transmissão da dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti, que apresente febre, usualmente com duração entre 2 e 7 dias, e duas ou mais das seguintes manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, petéquias ou prova do laço positiva.
  3. C) Dor abdominal intensa e contínua não é um critério para definição de caso suspeito de dengue, portanto tem pouca importância clínica na avaliação de pacientes com dengue.
  4. D) Casos graves são mais frequentes em áreas onde há circulação de vários sorotipos do vírus e em pessoas que têm infecções subsequentes por vírus diferentes. 
  5. E) Em áreas com cocirculação de Zika pode haver dificuldade na interpretação do resultados laboratoriais em virtude de resposta cruzada.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa/contínua na dengue = sinal de alarme crítico, não subestimar.

Resumo-Chave

A dor abdominal intensa e contínua é um dos principais sinais de alarme para a dengue, indicando risco de evolução para formas graves da doença. Sua presença exige monitoramento rigoroso e manejo adequado para prevenir complicações.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, especialmente em regiões tropicais. É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que adquire o vírus ao se alimentar de sangue de pessoas infectadas e pode transmiti-lo por via transovariana aos seus ovos. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e sangramentos. O diagnóstico de caso suspeito de dengue baseia-se em critérios epidemiológicos (viagem ou residência em área de transmissão) e clínicos (febre de 2 a 7 dias, acompanhada de dois ou mais sintomas como náuseas, vômitos, exantema, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, petéquias ou prova do laço positiva). É crucial identificar os sinais de alarme, como a dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramentos, que indicam a progressão para formas graves e a necessidade de intervenção imediata. O manejo da dengue é principalmente de suporte, com foco na hidratação e monitoramento dos sinais de alarme. Em áreas com cocirculação de outros arbovírus como Zika, a interpretação de exames laboratoriais pode ser desafiadora devido à resposta cruzada. A prevenção é fundamental e baseia-se no controle do vetor.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme da dengue?

Os principais sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito.

Qual a importância da dor abdominal intensa na avaliação de um paciente com dengue?

A dor abdominal intensa e contínua é um sinal de alarme crítico que indica extravasamento plasmático e risco iminente de choque. Sua presença exige internação e monitoramento rigoroso, com hidratação venosa.

Como diferenciar a dengue de outras arboviroses como Zika e Chikungunya?

Embora compartilhem sintomas, a dengue tende a ter febre mais alta e maior risco de choque. Zika é mais associada a exantema pruriginoso e conjuntivite, e Chikungunya a artralgia intensa e prolongada. Testes sorológicos e moleculares são essenciais para confirmação, mas podem haver reações cruzadas.

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