Sífilis Gestacional: Interpretação de Fatores de Risco (OR)

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2019

Enunciado

Com o objetivo de determinar os fatores sociodemográficos, comportamentais e de assistência à saúde relacionados à ocorrência de sífilis em mulheres atendidas em maternidades públicas foi realizado um estudo caso-controle (239 casos e 322 controles) com mulheres admitidas em sete maternidades do município do Recife, no período de julho de 2013 a julho de 2014. Foi calculado Odds Ratio (OR), intervalo de confiança de 95% e realizada análise de regressão logística para identificar os fatores preditores da variável a ser explicada. A análise dos dados identificou como fatores determinantes para a sífilis gestacional, entre outros: a ocorrência de apenas uma a três consultas ao pré- natal (OR = 3,5) e história anterior de infecção sexualmente transmissível (OR = 9,7). Com base nos resultados acima descritos, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) História anterior de infecção sexualmente transmissível foi 9,7 vezes maior entre os controles do que entre os casos.
  2. B) A ocorrência de apenas uma a três consultas ao pré-natal foi 3,5 vezes maior entre os controles do que entre os casos.
  3. C) A ocorrência de apenas uma a três consultas ao pré-natal foi 3,5 vezes maior entre os casos do que entre os controles.
  4. D) História anterior de infecção sexualmente transmissível foi 9,7 vezes menor entre os casos do que entre os controles.
  5. E) Número de consultas pré-natal e história anterior de doença sexualmente transmissível não tiveram associação com a ocorrência de sífilis na amostra.

Pérola Clínica

OR > 1 em estudo caso-controle = exposição mais comum nos casos (doentes) vs controles (não doentes).

Resumo-Chave

Em um estudo caso-controle, um Odds Ratio (OR) maior que 1 indica que a exposição (fator de risco) é mais frequente no grupo de casos (com a doença) do que no grupo controle (sem a doença), sugerindo uma associação positiva entre a exposição e a doença.

Contexto Educacional

A sífilis gestacional é um grave problema de saúde pública, com potencial para causar sífilis congênita, resultando em aborto, natimorto, prematuridade, baixo peso ao nascer e diversas sequelas no recém-nascido. A identificação dos fatores de risco é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle, especialmente no contexto do pré-natal. Estudos caso-controle são ferramentas epidemiológicas importantes para investigar fatores de risco de doenças raras ou com longo período de latência. Nesses estudos, o Odds Ratio (OR) é a medida de associação utilizada. Um OR > 1 indica que a exposição é mais comum nos casos (indivíduos com a doença) do que nos controles (indivíduos sem a doença), sugerindo que a exposição é um fator de risco. No caso apresentado, um OR de 3,5 para poucas consultas de pré-natal e 9,7 para história de IST significa que essas exposições são significativamente mais frequentes nas gestantes com sífilis. Isso reforça a importância do acesso e adesão ao pré-natal de qualidade e da triagem e tratamento de ISTs para a prevenção da sífilis gestacional e congênita.

Perguntas Frequentes

Como se interpreta um Odds Ratio (OR) de 3,5 em um estudo caso-controle?

Um OR de 3,5 significa que a chance de ter a exposição (neste caso, uma a três consultas de pré-natal) é 3,5 vezes maior entre os casos (mulheres com sífilis gestacional) do que entre os controles (mulheres sem sífilis gestacional).

Qual a diferença entre Odds Ratio e Risco Relativo?

O Odds Ratio (OR) é a razão de chances de exposição entre casos e controles, usado em estudos caso-controle. O Risco Relativo (RR) é a razão de incidências da doença entre expostos e não expostos, usado em estudos de coorte. O OR pode aproximar o RR quando a doença é rara.

Quais são os principais fatores de risco para sífilis gestacional identificados em estudos epidemiológicos?

Fatores de risco comuns incluem pré-natal inadequado ou ausente, história de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), múltiplos parceiros sexuais, uso de drogas ilícitas, baixa escolaridade e condições socioeconômicas desfavoráveis.

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