Meningite: Diagnóstico, Sinais Meníngeos e Conduta Inicial

HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 34 anos, sexo masculino, com história de cefaleia moderada há 4 dias, refratária a analgésicos. Relata ainda episódios de febre, calafrio e vômitos. Ao exame físico apresenta flexão involuntária do joelho e do quadril quando se faz flexão do pescoço. Sobre esse paciente, pode-se afirmar corretamente que:

Alternativas

  1. A) O quadro é sugestivo de meningite. O paciente necessita de punção lombar e só pode iniciar a antibioticoterapia após a coleta do líquor para evitar o tratamento com cobertura inadequada.
  2. B) O quadro é sugestivo de hemorragia subaracnoideia aneurismática e o paciente deve realizar uma angiografia de urgência.
  3. C) O quadro é sugestivo de meningite e está indicada coleta de liquor. Se não houver disponibilidade em tempo hábil, a antibioticoterapia deve ser iniciada com cobertura empírica.
  4. D) O quadro é sugestivo de hidrocefalia de pressão normal e o paciente deve realizar uma tomografia para confirmar a suspeita clínica.
  5. E) O quadro é sugestivo de hidrocefalia obstrutiva e o paciente deve realizar uma ressonância para confirmar a suspeita clínica.

Pérola Clínica

Sinais meníngeos + febre/cefaleia → suspeita de meningite; iniciar ATB empírico se PL atrasar.

Resumo-Chave

A presença de sinais meníngeos (Kernig e Brudzinski) em um paciente com cefaleia, febre e vômitos é altamente sugestiva de meningite. A punção lombar é essencial para o diagnóstico, mas o atraso na antibioticoterapia pode ser fatal.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal (meninges), podendo ser causada por bactérias, vírus, fungos ou outros agentes. A meningite bacteriana é uma emergência médica devido ao seu potencial de rápida progressão e altas taxas de morbimortalidade se não tratada prontamente. A suspeita clínica é fundamental e baseia-se em sintomas como cefaleia, febre, vômitos e sinais de irritação meníngea. Os sinais de irritação meníngea, como a rigidez de nuca e os sinais de Kernig e Brudzinski, são achados clássicos no exame físico que reforçam a suspeita de meningite. O sinal de Kernig é a incapacidade de estender a perna quando o quadril está fletido a 90 graus, devido à dor. O sinal de Brudzinski é a flexão involuntária dos joelhos e quadris quando o pescoço é fletido passivamente. A punção lombar para análise do líquor é o exame padrão-ouro para o diagnóstico etiológico. Diante da forte suspeita de meningite bacteriana, a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta de hemoculturas, mesmo que a punção lombar seja adiada por alguma contraindicação ou dificuldade técnica. O atraso no início do tratamento antibiótico está associado a piores desfechos. A escolha do antibiótico empírico deve cobrir os patógenos mais prováveis, considerando a idade do paciente e o perfil epidemiológico local, e ser ajustada após o resultado da cultura e antibiograma do líquor.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da meningite?

Os principais sinais e sintomas da meningite incluem cefaleia intensa, febre, rigidez de nuca, fotofobia, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, podem ocorrer alterações do nível de consciência e convulsões.

Qual a importância dos sinais de Kernig e Brudzinski na suspeita de meningite?

Os sinais de Kernig e Brudzinski são indicativos de irritação meníngea. O sinal de Kernig é a dor e resistência à extensão da perna quando o quadril está fletido a 90 graus. O sinal de Brudzinski é a flexão involuntária dos joelhos e quadris ao fletir o pescoço.

Quando a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada na suspeita de meningite?

A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada o mais rápido possível na suspeita de meningite bacteriana, idealmente após a coleta de hemoculturas e, se a punção lombar for atrasada ou contraindicada, sem aguardar o resultado do líquor. O atraso no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade.

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