Quando Indicar a Cirurgia de Catarata? Critérios e Decisão

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

Paciente com 68 anos de idade, apresenta catarata com opacidade do cristalino semelhante em ambos os olhos. Qual o momento mais adequado para indicar a cirurgia?

Alternativas

  1. A) Quando a acuidade visual corrigida do melhor olho for inferior a 0,8
  2. B) Quando o teste de sensibilidade ao contraste evidenciar alteração
  3. C) Quando a opacidade dos meios interferir nas atividades diárias do paciente
  4. D) Quando a dureza do cristalino for maior do que 3 cruzes (em um total de 4 cruzes)

Pérola Clínica

Indicação de cirurgia de catarata = impacto funcional nas atividades diárias + desejo do paciente.

Resumo-Chave

A decisão de operar a catarata não se baseia apenas em números de acuidade visual, mas sim no quanto a baixa visão interfere na autonomia e qualidade de vida do paciente.

Contexto Educacional

A catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo. Consiste na opacificação progressiva do cristalino, geralmente relacionada ao estresse oxidativo e envelhecimento. O tratamento é exclusivamente cirúrgico, sendo a facoemulsificação com implante de lente intraocular (LIO) a técnica de escolha. A avaliação pré-operatória inclui a biometria ocular para cálculo do poder da LIO, ceratometria e, idealmente, contagem de células endoteliais. A escolha da lente (monofocal, tórica ou multifocal) depende das necessidades visuais e da anatomia ocular do paciente. O sucesso cirúrgico é alto, com rápida recuperação visual, mas exige cuidados pós-operatórios rigorosos com colírios antibióticos e anti-inflamatórios para prevenir endoftalmite e edema macular cistoide.

Perguntas Frequentes

Existe um limite de acuidade visual para operar catarata?

Não existe um valor de corte universal (como 20/40 ou 0,5) que obrigue ou impeça a cirurgia de catarata. A indicação é individualizada. Um motorista profissional pode precisar da cirurgia com uma acuidade de 20/30 devido à perda de sensibilidade ao contraste e ofuscamento noturno, enquanto um paciente muito idoso e sedentário pode estar satisfeito com 20/60. O critério fundamental é se a redução da visão impede o paciente de realizar suas tarefas habituais com segurança e conforto, como ler, dirigir, cozinhar ou reconhecer rostos. A cirurgia deve ser proposta quando o benefício potencial na qualidade de vida supera os riscos inerentes ao procedimento.

Por que não se deve esperar a catarata 'amadurecer'?

O conceito antigo de esperar a catarata ficar 'madura' (totalmente branca ou dura) surgiu na época da cirurgia extracapsular antiga, onde um cristalino mais íntegro facilitava a expressão manual. Com a técnica moderna de facoemulsificação (ultrassom), quanto mais 'madura' e dura a catarata, mais energia de ultrassom é necessária para fragmentá-la. Isso aumenta o risco de lesão ao endotélio corneano, ruptura de zônula e outras complicações. Além disso, cataratas muito avançadas podem causar glaucoma facomórfico ou uveíte facolítica. Portanto, a cirurgia deve ser feita assim que houver prejuízo funcional, com o cristalino ainda em estágios de dureza manejáveis.

Quais outros sintomas, além da visão embaçada, justificam a cirurgia?

Muitos pacientes mantêm uma boa acuidade visual em ambientes de consultório (alto contraste), mas sofrem com outros sintomas ópticos. O ofuscamento (glare) causado por luzes fortes, como faróis de carros à noite, é uma queixa comum. A redução da sensibilidade ao contraste torna difícil distinguir objetos em ambientes mal iluminados. Outros sintomas incluem a diplopia monocular (visão dupla em um olho), alteração na percepção das cores (visão amarelada ou desbotada) e mudanças frequentes no grau dos óculos (miopização induzida pela catarata nuclear). Todos esses fatores compõem o quadro de interferência nas atividades diárias.

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