Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 8 anos, com antecedente pessoal de rinite alérgica, busca o pronto-socorro de pediatria. A mãe conta que a criança participava de uma festa de aniversário infantil quando iniciou quadro de vômitos, náusea e dor abdominal. Ao examinar o paciente o médico observa a presença de urticária generalizada. Na ausculta pulmonar há presença de sibilos esparsos, não há esforço respiratório e a FR 25 ipm, FC 90 bpm, PA: 115x75 mmHg e SatO2 96%. Diante do quadro exposto, é correto afirmar que o tratamento inicial de primeira linha é realizar
Anafilaxia (≥ 2 sistemas envolvidos) → Epinefrina IM 0,01 mg/kg (1:1.000) imediatamente.
O quadro clínico (urticária, sintomas gastrointestinais, sibilos) em uma criança com histórico de alergia após exposição a um possível alérgeno (festa de aniversário) é altamente sugestivo de anafilaxia. A epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada imediatamente para reverter a reação sistêmica.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que ocorre após a exposição a um alérgeno. É caracterizada pelo envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, como pele (urticária, angioedema), respiratório (sibilos, dispneia), gastrointestinal (vômitos, dor abdominal) e cardiovascular (hipotensão, taquicardia). Em crianças, a anafilaxia é frequentemente desencadeada por alimentos, picadas de insetos ou medicamentos. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, triptase, leucotrienos) por mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa gastrointestinal. O diagnóstico é clínico e deve ser rápido, pois a progressão pode ser fulminante. O tratamento de primeira linha e mais importante para a anafilaxia é a administração imediata de epinefrina por via intramuscular. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg da solução 1:1.000 (1 mg/mL), com dose máxima de 0,3 mg para crianças, aplicada na face anterolateral da coxa. Outras medidas incluem manter as vias aéreas pérvias, oxigenoterapia, fluidos intravenosos e, secundariamente, anti-histamínicos e corticosteroides, que não substituem a epinefrina.
Anafilaxia é diagnosticada quando há envolvimento agudo de pele/mucosas (urticária, angioedema) e pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, sibilos) ou hipotensão/sintomas de disfunção orgânica (síncope, vômitos persistentes).
A epinefrina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente como vasoconstritor (aumenta PA), broncodilatador (melhora respiração) e inibe a liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os efeitos sistêmicos da anafilaxia.
A dose recomendada é de 0,01 mg/kg de epinefrina na concentração 1:1.000 (1 mg/mL), administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa, com dose máxima de 0,3 mg para crianças.
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