HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
O ligamento utilizado para a realização da colpossuspensão de Burch no tratamento da incontinência urinária é o:
Cirurgia de Burch = Fixação da fáscia periuretral ao Ligamento de Cooper.
A colpossuspensão de Burch é uma técnica cirúrgica retropúbica para incontinência urinária de esforço que utiliza o ligamento de Cooper (pectíneo) como ponto de ancoragem para elevar o colo vesical.
A colpossuspensão de Burch, descrita em 1961, baseia-se no princípio de restaurar a transmissão da pressão intra-abdominal para a uretra proximal, elevando o colo vesical e a uretra para cima e para trás, contra a sínfise púbica. O procedimento é realizado no espaço retropúbico (espaço de Retzius). A técnica envolve a dissecção da gordura sobre a fáscia perivaginal e a colocação de suturas não absorvíveis que unem essa fáscia ao ligamento de Cooper bilateralmente. Embora a técnica original tenha sido descrita por via aberta (laparotomia), a abordagem laparoscópica e robótica são amplamente utilizadas hoje, oferecendo eficácia comparável com menor morbidade. A escolha entre Burch e Slings miduretrais depende da experiência do cirurgião, das comorbidades da paciente e da presença de outras patologias pélvicas que exijam correção cirúrgica concomitante.
O ligamento de Cooper, também conhecido como ligamento pectíneo, é uma extensão da fáscia do músculo pectíneo e do periósteo ao longo da linha pectínea (eminência iliopúbica) do osso púbico. É uma estrutura fibrosa extremamente forte e resistente, o que a torna um ponto de ancoragem ideal para suturas em cirurgias reconstrutivas pélvicas. Na colpossuspensão de Burch, os pontos são passados pela fáscia perivaginal/periuretral e fixados bilateralmente a este ligamento, elevando a parede vaginal anterior e, consequentemente, o colo da bexiga para uma posição retropúbica intra-abdominal.
Historicamente, a colpossuspensão de Burch foi o 'padrão-ouro' para o tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) por hipermobilidade do colo vesical. Atualmente, embora os slings miduretrais sintéticos (TVT/TOT) sejam mais comuns devido à sua natureza minimamente invasiva, o Burch ainda é uma excelente opção. É indicado especialmente quando a paciente já será submetida a uma laparotomia ou laparoscopia por outro motivo ginecológico, em casos de falha de slings anteriores, ou quando a paciente deseja evitar o uso de telas sintéticas (malhas).
As complicações da cirurgia de Burch incluem disfunção miccional (dificuldade de esvaziamento), urgência miccional de novo (bexiga hiperativa pós-operatória) e, notavelmente, um aumento do risco de desenvolvimento de prolapso do compartimento posterior (enterocele ou retocele). Isso ocorre porque a suspensão anterior altera o eixo vaginal, expondo o fundo de saco de Douglas a uma maior pressão intra-abdominal. Por isso, alguns cirurgiões realizam procedimentos profiláticos de obliteração do fundo de saco (como a manobra de Moschcowitz) simultaneamente.
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