UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 32 anos, compareceu a consulta ginecológica de rotina para realização de colpocitologia cérvico-vaginal. No momento, encontra-se com parceiro fixo e tem relações sexuais regulares. Exame ginecológico: colo uterino sem lesões ou atipias aparentes; conteúdo vaginal de aspecto fisiológico. Resultado da colpocitologia: negativo para malignidade; presença de células epiteliais escamosas e glandulares; alterações inflamatórias acentuadas. Considerando a “2ª Edição das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento de Câncer de Colo do Útero”, a conduta mais adequada é:
Papanicolaou com inflamação acentuada, negativo para malignidade, sem lesão aparente → seguir rotina normal de rastreamento.
De acordo com as Diretrizes Brasileiras, a presença de alterações inflamatórias acentuadas em um Papanicolaou negativo para malignidade, na ausência de lesões ou atipias visíveis ao exame ginecológico, não requer conduta específica além da rotina de rastreamento. O tratamento de inflamações inespecíficas não demonstrou benefício na prevenção do câncer de colo do útero.
A colpocitologia cérvico-vaginal, conhecida como Papanicolaou, é o principal método de rastreamento para o câncer de colo do útero, uma das neoplasias mais comuns em mulheres. O exame busca identificar alterações celulares que podem indicar lesões precursoras ou câncer invasivo, permitindo o tratamento precoce e a redução da mortalidade. A interpretação correta dos resultados é crucial para a conduta adequada, especialmente para residentes em ginecologia e atenção primária. No Brasil, as diretrizes de rastreamento são atualizadas periodicamente pelo Ministério da Saúde, sendo um guia fundamental para a prática clínica. Resultados de Papanicolaou que indicam 'alterações inflamatórias acentuadas' são comuns e, na maioria das vezes, não representam um risco aumentado para o câncer de colo do útero, especialmente quando o exame é negativo para malignidade. A fisiopatologia dessas alterações pode estar relacionada a infecções inespecíficas, trauma, uso de contraceptivos ou outras condições benignas. O diagnóstico diferencial deve considerar a presença de sintomas como corrimento, prurido ou dor, que poderiam indicar uma infecção tratável. No entanto, na ausência de tais sintomas ou lesões visíveis, a inflamação isolada não justifica intervenções adicionais. O tratamento das alterações inflamatórias acentuadas sem uma causa específica identificada não é recomendado pelas diretrizes brasileiras. A conduta mais apropriada é seguir a rotina de rastreamento citológico como para as mulheres com resultado normal, ou seja, repetir o Papanicolaou no intervalo recomendado (geralmente 3 anos para a faixa etária de rastreamento). A supervalorização dessas alterações pode levar a exames e tratamentos desnecessários, gerando ansiedade e custos para o sistema de saúde, sem benefício comprovado para a paciente.
Sinais de alerta em um Papanicolaou incluem atipias celulares, lesões intraepiteliais de baixo ou alto grau (LSIL, HSIL), células glandulares atípicas (AGC) ou suspeita de invasão. Alterações inflamatórias acentuadas, por si só, não são consideradas um sinal de alerta para malignidade.
Se o Papanicolaou for negativo para malignidade com alterações inflamatórias acentuadas e não houver indicação clínica de infecção ou lesão, a repetição do exame deve seguir a rotina normal de rastreamento, geralmente em 3 anos para mulheres de 25 a 64 anos, conforme as diretrizes.
O tratamento de inflamações inespecíficas no colo uterino, sem evidência de infecção específica ou lesão, não demonstrou benefício na prevenção do câncer de colo do útero ou na melhora dos resultados citológicos. A conduta deve ser baseada nas diretrizes de rastreamento e na presença de patologias tratáveis.
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