CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
A coloração de Ziehl-Nielsen permitirá a detecção do micro-organismo:
Ziehl-Neelsen → Identifica BAAR (ex: M. tuberculosis) pela resistência ao descoramento ácido-alcoólico.
A técnica utiliza fucsina fenicada e aquecimento para penetrar a parede celular rica em ácidos micólicos, que resiste à descoloração por álcool-ácido.
A coloração de Ziehl-Neelsen continua sendo um pilar fundamental no diagnóstico rápido da tuberculose, especialmente em cenários de escassez de recursos. A visualização de bacilos vermelhos (BAAR) contra um fundo azul (azul de metileno) permite a confirmação diagnóstica em amostras de escarro, biópsias e outros fluidos corporais. Na prática clínica, a baciloscopia positiva indica alta carga bacteriana e maior potencial de transmissibilidade do paciente. Embora o teste molecular rápido (como o GeneXpert) tenha ganhado espaço, a técnica de Ziehl-Neelsen é essencial para o monitoramento da resposta ao tratamento e para a identificação inicial em laboratórios de microbiologia geral.
O método baseia-se na propriedade de certas bactérias, como as micobactérias, de resistirem à descoloração por ácidos fortes e álcool após serem coradas com fucsina fenicada. Isso ocorre devido à alta concentração de ácidos micólicos (lipídeos de cadeia longa) em suas paredes celulares. O aquecimento durante a coloração facilita a entrada do corante, que permanece retido mesmo após a lavagem com a solução descorante.
Além do Mycobacterium tuberculosis e outras espécies de Mycobacterium (como M. leprae), o método pode identificar outros organismos 'parcialmente' álcool-ácido resistentes, como espécies de Nocardia, Rhodococcus e alguns parasitas como Cryptosporidium e Isospora, embora variações na técnica (como o Ziehl-Neelsen modificado ou Kinyoun) possam ser preferíveis para estes últimos.
Embora possuam uma estrutura de parede celular que se assemelha quimicamente às bactérias Gram-positivas (presença de peptideoglicano), a enorme quantidade de ceras e ácidos micólicos torna a parede extremamente hidrofóbica. Isso impede que os corantes hidrossolúveis do método de Gram penetrem de forma eficaz, resultando em uma coloração fantasmagórica ou nula, exigindo métodos específicos como Ziehl-Neelsen ou Auramina-Rodamina.
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