UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Escolar de 8 anos, com paralisia cerebral por hipóxia neonatal, traqueostomizado, foi trazido à consulta por episódio único de febre de 38° C, aumento da frequência de aspiração da traqueostomia e mudança no padrão da secreção aspirada (mais viscosa e mais amarelada). Foram solicitadas radiografia de tórax (sem alterações no parênquima pulmonar) e cultura de escarro e iniciado o uso de amoxicilina-clavulanato. Na reavaliação em 72 horas, a mãe informou que os sintomas melhoraram significativamente em 24 horas e que sua filha de 3 anos precisou ser afastada temporariamente da escola devido à infecção de vias aéreas superiores por influenza A. O resultado da cultura revelou Pseudomonas aeruginosa sensível a ciprofloxacino e meropenem. Que conduta, dentre as abaixo, deve ser adotada?
Traqueostomizado com Pseudomonas na cultura + melhora clínica = considerar colonização, não infecção ativa.
Em pacientes traqueostomizados, a presença de Pseudomonas aeruginosa na cultura de secreção traqueal é comum devido à colonização. A decisão de tratar deve ser baseada na clínica do paciente, e não apenas no resultado da cultura, para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o desenvolvimento de resistência.
Pacientes traqueostomizados, especialmente aqueles com condições crônicas como paralisia cerebral, são frequentemente colonizados por bactérias multirresistentes, incluindo Pseudomonas aeruginosa, nas vias aéreas. É crucial diferenciar colonização de infecção ativa para evitar o uso indiscriminado de antibióticos, que pode levar à resistência e a efeitos adversos. A decisão de iniciar ou manter a antibioticoterapia deve ser guiada pela avaliação clínica do paciente, e não apenas pelo resultado da cultura. A presença de sintomas como febre, aumento da frequência de aspiração e mudança no padrão da secreção pode indicar uma infecção. No entanto, a melhora rápida com um antibiótico de espectro mais estreito (como amoxicilina-clavulanato) ou a concomitância de infecções virais (como influenza na irmã) sugere que a Pseudomonas isolada na cultura pode ser um achado de colonização. A radiografia de tórax sem alterações também corrobora a ausência de pneumonia bacteriana grave. Nesse cenário, a conduta mais adequada é suspender o antibiótico e reavaliar o paciente. O tratamento de colonização não é recomendado, a menos que haja evidência clara de infecção. A vigilância clínica é fundamental para identificar uma eventual piora e, então, considerar a introdução de um antibiótico específico para Pseudomonas, se necessário.
Sinais incluem febre persistente, piora do desconforto respiratório, secreção purulenta abundante, leucocitose e infiltrados novos na radiografia de tórax.
A melhora clínica sugere que a Pseudomonas era uma colonização ou que a infecção inicial era viral/bacteriana sensível ao tratamento empírico. Tratar a colonização aumenta o risco de resistência.
Os principais riscos são o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, efeitos adversos dos antibióticos e alteração da microbiota normal do paciente.
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