INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um homem com 45 anos de idade, internado em enfermaria de hospital secundário há 15 dias pós trauma grave com boa evolução, apresenta swab anal positivo para bacilo gram-negativo resistente a carbapenênmico. Ele não apresenta febre e o leucograma está com 6.500 leucócitos (neutrófilos: 4.500, linfócitos: 1.500 células por campo). Nesse caso, a conduta adequada é
Colonização por germe multirresistente (ex: KPC) sem sinais de infecção → Precaução de contato e observação clínica, sem ATB.
A presença de um bacilo gram-negativo resistente a carbapenêmico em swab anal sem sinais clínicos de infecção (febre, leucocitose) indica colonização, não infecção. Nesses casos, a conduta é instituir precaução de contato para evitar a disseminação e observar o paciente, sem iniciar antibioticoterapia desnecessária.
A crescente prevalência de bactérias multirresistentes, como os bacilos gram-negativos produtores de carbapenemase (KPC), representa um desafio significativo na prática hospitalar. A distinção entre colonização e infecção é um conceito fundamental para o manejo adequado e para a prevenção da disseminação desses patógenos. No cenário apresentado, o paciente, após um trauma grave, está internado há 15 dias e apresenta um swab anal positivo para KPC, mas sem sinais clínicos de infecção (ausência de febre, leucograma normal). Isso caracteriza uma colonização, ou seja, a presença do microrganismo sem causar doença ativa. Iniciar antibioticoterapia nesse cenário seria inadequado, pois não traria benefício clínico e poderia selecionar ainda mais a resistência bacteriana, além de expor o paciente a efeitos adversos. A conduta correta, portanto, é a observação clínica atenta para detectar qualquer sinal de infecção futura e, crucialmente, a instituição de precaução de contato. As precauções de contato são medidas de controle de infecção que visam prevenir a transmissão de microrganismos por contato direto ou indireto, sendo essenciais para conter a disseminação de patógenos multirresistentes em ambientes hospitalares.
Colonização refere-se à presença de microrganismos em um sítio anatômico sem causar doença ou resposta inflamatória no hospedeiro. Infecção, por outro lado, é a invasão de tecidos por microrganismos, resultando em resposta inflamatória e sinais clínicos de doença.
A precaução de contato é fundamental para prevenir a disseminação de bactérias multirresistentes, como a KPC, para outros pacientes e para o ambiente hospitalar. Inclui o uso de luvas e avental para contato com o paciente e seu entorno, além da higiene rigorosa das mãos.
Geralmente, a colonização assintomática por germes multirresistentes não requer tratamento antibiótico. O tratamento é reservado para casos de infecção clinicamente manifesta, onde há evidência de doença e necessidade de erradicar o patógeno para a recuperação do paciente.
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