Colonização vs. Infecção de Cateter: Critérios Diagnósticos

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 25 anos é admitido na UTI após trauma cranioencefálico grave. Após 10 dias na UTI, apresentou leucocitose, sem alteração clínica. Realizada coleta de duas amostras de hemoculturas periféricas, sacado o cateter venoso central (CVC) e enviada a ponta para cultura. Exames: hemoculturas negativas; cultura de ponta do cateter: Staphylococcus aureus, resistente à meticilina (MRSA). Em relação ao diagnóstico e ao manejo clínico, é correto afirmar que a positividade da cultura:

Alternativas

  1. A) Confirma infecção de corrente sanguínea, sendo necessária a introdução de vancomicina.
  2. B) Confirma infecção do orifício de saída do cateter, sendo necessária a introdução de vancomicina.
  3. C) Não confirma infecção de corrente sanguínea, caracterizando apenas colonização do CVC.
  4. D) Confirma infecção de corrente sanguínea, sendo necessária a introdução de oxacilina.

Pérola Clínica

Ponta de cateter (+) + Hemoculturas (-) = Colonização. Não tratar se assintomático.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (ICSRC) exige a concordância entre a cultura da ponta do cateter e as hemoculturas periféricas.

Contexto Educacional

A distinção entre colonização e infecção é um pilar do uso racional de antimicrobianos em ambiente intensivo. A pele do paciente e as conexões do cateter são frequentemente colonizadas por microbiota comensal ou patógenos hospitalares como o MRSA. A simples presença do germe no dispositivo não implica em invasão da corrente sanguínea. O Staphylococcus aureus é um patógeno virulento, mas se as hemoculturas periféricas colhidas adequadamente resultarem negativas, o risco de bacteremia oculta é baixo após a remoção do foco (o cateter). O manejo correto evita a exposição do paciente a drogas nefrotóxicas como a vancomicina e reduz a pressão seletiva para resistência bacteriana.

Perguntas Frequentes

O que define a colonização de um cateter venoso?

A colonização é definida pelo crescimento significativo de microrganismos na ponta do cateter (geralmente > 15 UFC pelo método semiquantitativo de Maki) na ausência de sinais clínicos de infecção sistêmica e com hemoculturas periféricas negativas. No caso clínico, como as hemoculturas foram negativas, o Staphylococcus aureus isolado na ponta representa apenas colonização local.

Quando tratar um Staphylococcus aureus em ponta de cateter?

O tratamento só é indicado se houver evidência de infecção de corrente sanguínea (hemoculturas positivas para o mesmo germe) ou se o paciente apresentar sinais clínicos de sepse sem outro foco, mesmo com hemoculturas pendentes (tratamento empírico). Se o paciente está clinicamente estável e as hemoculturas são negativas, a retirada do cateter já é o manejo suficiente para a colonização.

Quais os critérios para ICSRC?

Para confirmar Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (ICSRC), é necessário: 1) Isolamento do mesmo microrganismo na hemocultura periférica e na cultura da ponta do cateter; ou 2) Tempo de positividade diferencial (hemocultura colhida pelo cateter positiva pelo menos 2 horas antes da periférica).

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