PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Após o suporte oferecido e alguns dias de tratamento o paciente anterior apresenta melhora considerável e está estável, sem nenhuma disfunção orgânica, pronto para receber alta, porém você recebe um aviso do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar informando que houve um crescimento de Acinetobacter baumannii multirresistente no swab retal do paciente. Qual seria a conduta mais adequada?
Colonização por bactéria multirresistente sem infecção ativa não impede alta nem exige tratamento antibiótico.
A presença de Acinetobacter baumannii multirresistente em swab retal indica colonização, não infecção. Se o paciente está clinicamente estável e sem sinais de infecção, não há indicação para prolongar a internação ou iniciar antibioticoterapia, pois isso não erradica a colonização e pode selecionar mais resistência.
Acinetobacter baumannii é um bacilo Gram-negativo não fermentador, notório por sua capacidade de adquirir multirresistência a antibióticos, tornando-se um patógeno hospitalar de grande preocupação. A epidemiologia mostra que é frequentemente associado a infecções nosocomiais graves, especialmente em unidades de terapia intensiva, e pode colonizar pacientes sem causar doença ativa. A fisiopatologia da infecção por Acinetobacter baumannii envolve a formação de biofilmes e a produção de diversas enzimas de resistência. No entanto, a presença da bactéria em um swab retal de um paciente estável e sem sinais de infecção sistêmica ou local é considerada colonização. A colonização não requer tratamento antibiótico, pois a erradicação é difícil, e o uso desnecessário de antibióticos pode selecionar ainda mais resistência e causar efeitos adversos. Para residentes, é fundamental diferenciar colonização de infecção. Em casos de colonização por Acinetobacter baumannii multirresistente em um paciente clinicamente estável e pronto para alta, a conduta correta é manter a alta, sem iniciar antibioticoterapia. As medidas de controle de infecção devem ser mantidas durante a internação para evitar a transmissão cruzada, mas não há indicação de tratamento após a alta para erradicar a colonização assintomática.
Colonização é a presença da bactéria em um sítio sem causar doença, enquanto infecção é a invasão de tecidos com resposta inflamatória e sintomas clínicos.
O tratamento é indicado apenas quando há evidência de infecção ativa, ou seja, sinais e sintomas de doença associados à presença da bactéria.
Para pacientes colonizados, as medidas focam em precauções de contato para evitar a transmissão a outros pacientes, como higiene das mãos e uso de luvas e aventais.
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