Coloides na Reposição Volêmica: Evidências Atuais

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Existem 2 opções de líquidos para infusão na reposição volêmica: cristaloides e coloides. Existem vários tipos de coloides disponíveis na prática clínica e é importante saber quais deles são indicados ou não para reposição volêmica. Em relação à reposição volêmica utilizando coloides é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) atualmente não há evidências que justifiquem uso de coloides na prática clínica.
  2. B) o plasma fresco congelado é uma das opções de coloide para reposição volêmica.
  3. C) os derivados do amido possuem mais efeitos colaterais em relação aos outros coloides sintéticos.
  4. D) as evidências recentes apontam uma morbidade menor com uso de coloides em pacientes graves.

Pérola Clínica

Coloides sintéticos: ↑ efeitos adversos e mortalidade em pacientes graves; uso não justificado por evidências.

Resumo-Chave

Atualmente, a maioria das diretrizes não recomenda o uso rotineiro de coloides sintéticos (como amidos ou gelatinas) para reposição volêmica em pacientes graves, devido à falta de benefício claro e ao risco aumentado de efeitos adversos, como lesão renal aguda e distúrbios de coagulação. Cristaloides são a primeira escolha.

Contexto Educacional

A reposição volêmica é uma intervenção crucial em diversas condições clínicas, como choque hipovolêmico, séptico ou cardiogênico. A escolha do fluido ideal é um tópico de constante debate na medicina intensiva, com implicações diretas na morbimortalidade dos pacientes. Tradicionalmente, os fluidos são divididos em cristaloides e coloides, sendo os primeiros soluções eletrolíticas e os segundos, soluções que contêm moléculas de alto peso molecular. Os cristaloides, como soro fisiológico 0,9% e Ringer Lactato, são a primeira linha de escolha para a maioria das situações de reposição volêmica. Eles se distribuem rapidamente no espaço intersticial e são eficazes na expansão do volume intravascular. Já os coloides, teoricamente, deveriam permanecer mais tempo no espaço intravascular devido à sua pressão oncótica, mas estudos recentes têm questionado essa vantagem e apontado riscos. Atualmente, as evidências científicas não sustentam o uso rotineiro de coloides sintéticos (como amidos e gelatinas) em pacientes graves, especialmente em choque séptico e trauma, devido ao risco aumentado de lesão renal aguda e coagulopatias, sem benefício de mortalidade. A albumina, um coloide natural, tem indicações mais específicas, como em pacientes com cirrose e peritonite bacteriana espontânea, ou em choque séptico após a fase inicial de cristaloides.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de coloides utilizados na prática clínica?

Os principais tipos de coloides incluem albumina (natural) e coloides sintéticos como amidos (hidroxietilamido), gelatinas e dextranos.

Por que os cristaloides são preferidos em relação aos coloides na maioria das situações?

Cristaloides são preferidos devido à sua eficácia comprovada, menor custo, maior disponibilidade e perfil de segurança mais favorável, com menor risco de efeitos adversos graves em comparação com os coloides sintéticos.

Quais são os principais efeitos adversos associados ao uso de coloides sintéticos?

Os coloides sintéticos, especialmente os amidos, estão associados a efeitos adversos como lesão renal aguda, distúrbios de coagulação e, em alguns estudos, aumento da mortalidade em pacientes críticos.

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