Colo Curto na Gestação: Prevenção de Parto Prematuro

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 34 anos, GI P0 A0, idade gestacional de 24,2 semanas comparece à consulta de pré-natal trazendo resultado de ultrassonografia morfológica realizada com 23 semanas de gestação. Neste exame observou-se biometria fetal compatível com a idade gestacional, líquido amniótico com volume normal, placenta corporal anterior, ausência de alterações morfológicas do feto e colo com 14 mm de comprimento. Sem queixas na consulta, exame físico com ausência de contrações, colo fechado e ausência de perdas vaginais. Assinale a alternativa quanto a prevenção de prematuridade nessa paciente.

Alternativas

  1. A) manter acompanhamento pré-natal habitual pois a paciente não apresenta risco aumentado de prematuridade.
  2. B) indicar cerclagem do colo uterino de emergência.
  3. C) internar a paciente e iniciar tocólise com nifedipina imediatamente. 
  4. D) prescrever progesterona por via vaginal e manter até 36 semanas, orientar repouso e abstinência sexual.
  5. E) conduta expectante e, caso a paciente entre em trabalho de parto prematuro, prescrever agente tocolítico e realizar cerclagem. 

Pérola Clínica

Gestante com colo uterino < 25 mm na ultrassonografia morfológica → prescrever progesterona vaginal até 36 semanas para prevenção de prematuridade.

Resumo-Chave

Um colo uterino com 14 mm em gestante de 24 semanas é considerado curto e um fator de risco significativo para parto prematuro. A progesterona vaginal é a conduta de escolha para prolongar a gestação, sem necessidade de repouso ou abstinência sexual rotineira.

Contexto Educacional

O parto prematuro, definido como o nascimento antes de 37 semanas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal. A identificação de fatores de risco e a implementação de estratégias preventivas são cruciais no pré-natal. O colo uterino curto, diagnosticado por ultrassonografia transvaginal, é um dos principais preditores de parto prematuro espontâneo. Um comprimento cervical inferior a 25 mm entre 20 e 24 semanas de gestação é considerado um achado de risco. No caso apresentado, um colo de 14 mm em 24,2 semanas indica um risco elevado. A fisiopatologia envolve a incapacidade do colo de manter a gestação até o termo, seja por fatores mecânicos ou inflamatórios. A conduta de escolha para gestantes com colo uterino curto assintomático é a suplementação com progesterona natural micronizada por via vaginal. A progesterona atua relaxando o miométrio e modulando a resposta inflamatória cervical, ajudando a manter a integridade do colo. Não há evidências que justifiquem repouso ou abstinência sexual rotineira nesses casos, e a tocólise ou cerclagem não são indicadas para colo curto isolado e assintomático.

Perguntas Frequentes

Qual o significado de um colo uterino de 14 mm em uma gestante de 24 semanas?

Um colo uterino com 14 mm em 24 semanas é considerado significativamente curto (o ponto de corte geralmente é < 25 mm) e representa um alto risco para parto prematuro.

Qual a principal conduta para prevenir o parto prematuro em gestantes com colo curto assintomático?

A principal conduta é a prescrição de progesterona natural micronizada por via vaginal, geralmente até 36 semanas de gestação. Essa terapia demonstrou reduzir significativamente o risco de parto prematuro.

Quando a cerclagem uterina é indicada para prevenção de prematuridade?

A cerclagem uterina é indicada em casos de incompetência istmo-cervical, história de partos prematuros anteriores ou achado de colo muito curto (<10mm) em gestantes com história de parto prematuro, mas não é a primeira linha para colo curto isolado e assintomático.

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