Colo Uterino Curto: Manejo na Gestação para Residentes

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

P.G.V., 27 anos, GII PI 1N 0, IG 23 semanas, veio para ultrassom morfológico de segundo trimestre. Realizado ultrassom transvaginal para medida do colo uterino que demonstrou comprimento de 22 mm. Ausência de sinal de dedo de luva. Sludge ausente. Ecoglandular endocervical presente. Paciente sem antecedente de trabalho de parto prematuro anterior. Com relação ao caso acima, assinale a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Cerclagem de colo uterino.
  2. B) Progesterona 200 mg/noite, via vaginal.
  3. C) Pessário em colo uterino.
  4. D) Expectante, com repouso absoluto.
  5. E) Expectante, com repouso relativo.

Pérola Clínica

Colo uterino < 25 mm em gestação única sem TP anterior → Progesterona vaginal 200 mg/noite.

Resumo-Chave

Em gestantes com gestação única e colo uterino curto (≤ 25 mm) no segundo trimestre, sem histórico de parto prematuro, a progesterona vaginal é a conduta de escolha. Ela atua na manutenção da quiescência uterina e na prevenção do encurtamento cervical, reduzindo significativamente o risco de parto prematuro.

Contexto Educacional

O rastreamento do comprimento do colo uterino por ultrassonografia transvaginal no segundo trimestre é uma ferramenta essencial para identificar gestantes com risco aumentado de parto prematuro. Um colo uterino curto, geralmente definido como ≤ 25 mm entre 20 e 24 semanas de gestação, é um dos principais preditores de prematuridade espontânea. No caso de uma gestante com gestação única, sem histórico de parto prematuro anterior, e com um colo uterino medindo 22 mm em 23 semanas, a conduta mais apropriada e baseada em evidências é a administração de progesterona via vaginal, geralmente na dose de 200 mg/noite. A progesterona atua na manutenção da quiescência uterina, prevenindo contrações e o amadurecimento cervical, e tem demonstrado eficácia na redução do risco de parto prematuro nessa população. É importante diferenciar essa situação daquelas que indicariam cerclagem uterina, que é reservada para gestantes com histórico de parto prematuro espontâneo ou insuficiência istmocervical, ou para casos de colo extremamente curto (ex: <10-15mm) mesmo sem histórico. O repouso, seja absoluto ou relativo, não possui evidências de benefício na prevenção do parto prematuro e não é recomendado como conduta isolada. O pessário cervical é uma alternativa em estudo, mas a progesterona vaginal é a intervenção mais estabelecida para essa indicação.

Perguntas Frequentes

Qual o significado de um colo uterino de 22 mm em 23 semanas de gestação?

Um comprimento de colo uterino de 22 mm em 23 semanas de gestação é considerado curto, pois o ponto de corte para risco aumentado de parto prematuro é geralmente ≤ 25 mm. Isso indica a necessidade de intervenção para reduzir esse risco.

Por que a progesterona vaginal é a conduta indicada para colo uterino curto sem histórico de parto prematuro?

A progesterona vaginal atua localmente no colo uterino, promovendo a manutenção da quiescência miometrial, inibindo a inflamação e fortalecendo o colo. Em gestantes com colo curto e sem histórico de parto prematuro, ela demonstrou ser eficaz na redução da incidência de parto prematuro.

Quando a cerclagem de colo uterino seria indicada neste cenário?

A cerclagem de colo uterino seria indicada se a paciente tivesse um histórico de parto prematuro espontâneo ou insuficiência istmocervical prévia. Na ausência desse histórico, e com um comprimento de colo de 22 mm, a progesterona vaginal é a primeira linha de tratamento.

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