HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
G.M.D., 30 anos GIV PIII (2N 1C) A0, IG usg: 21 semanas, veio ao serviço de medicina fetal para ultrassom (usg) morfológico de 2o trimestre. Identificada morfologia do feto normal. Ao usg transvaginal: medida do colo uterino 15 mm, presença do sinal do afunilamento, presença de sludge, ausência do eco glandular endocervical (EGE). Nega perdas vaginais, nega dor tipo contração uterina, nega febre ou disúria ou leucorreia. Paciente com antecedente de 2 trabalhos de partos prematuros, com 32 e 33 semanas, respectivamente. Diante do caso apresentado, assinale a alternativa que contém a conduta correta.
Colo curto (<25mm) + afunilamento + sludge + antecedente PP → Cerclagem + tratar sludge com ATB.
Pacientes com colo uterino curto, afunilamento cervical, presença de sludge e histórico de parto prematuro apresentam alto risco para novo parto prematuro. Nesses casos, a cerclagem uterina combinada com o tratamento do sludge (que pode indicar infecção subclínica) é a conduta mais adequada para prolongar a gestação.
O parto prematuro é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A identificação de fatores de risco e a implementação de estratégias preventivas são fundamentais. A medida do colo uterino por ultrassom transvaginal no segundo trimestre é um preditor importante. Um colo uterino curto (< 25 mm), especialmente em pacientes com histórico de parto prematuro, indica alto risco. A presença de afunilamento cervical (funneling) agrava ainda mais esse risco, sugerindo uma incompetência istmocervical. O "sludge" vaginal, ou lama amniótica, é um achado ultrassonográfico que representa a presença de agregados de células inflamatórias e bactérias no líquido amniótico próximo ao orifício cervical. Sua presença é um forte indicador de infecção subclínica ou inflamação intra-amniótica, que é uma causa importante de parto prematuro. Portanto, o tratamento com antibioticoterapia é crucial para tentar erradicar essa infecção e reduzir o risco. Diante de um quadro de alto risco como o apresentado (colo curto, afunilamento, sludge e antecedente de dois partos prematuros), a conduta mais robusta e com maior evidência de eficácia é a cerclagem uterina. A cerclagem é um procedimento cirúrgico que visa reforçar o colo uterino, mantendo-o fechado e prevenindo a dilatação prematura. A combinação da cerclagem com o tratamento do sludge (antibioticoterapia) oferece a melhor chance de prolongar a gestação nessas pacientes de alto risco. A progesterona vaginal, embora útil em casos de colo curto isolado, pode não ser suficiente para um cenário tão complexo.
A medida do colo uterino por ultrassom transvaginal no segundo trimestre é crucial para identificar gestantes com risco de parto prematuro. Um colo < 25 mm é considerado curto e indica maior risco.
O sludge vaginal é a presença de material ecogênico na porção mais inferior da bolsa amniótica, próximo ao orifício cervical interno. Pode indicar infecção subclínica e está associado a um risco aumentado de parto prematuro.
A cerclagem uterina é indicada em pacientes com histórico de parto prematuro espontâneo e colo uterino curto (< 25 mm) no segundo trimestre, ou em casos de incompetência istmocervical diagnosticada antes da gestação ou durante a gestação atual.
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