UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023
Homem, 70 anos, diabético, internado na UTI há 3 semanas devido ao quadro de DPOC exacerbada, com uso recente de antibióticos e corticosteroides. Apresenta quadro de febre, leucocitose, dor abdominal e diarreia aquosa há 1 semana, com muco e raias de sangue nas fezes. A principal hipótese diagnóstica e propedêutica investigativa a serem consideradas nesse momento é:
Idoso, ATB/corticosteroide, diarreia aquosa/sanguinolenta, febre, leucocitose → Colite pseudomembranosa = Pesquisar toxinas A e B de Clostridium difficile nas fezes.
O quadro de diarreia em paciente idoso, internado em UTI, com uso recente de antibióticos e corticosteroides, febre e leucocitose, é altamente sugestivo de colite pseudomembranosa por Clostridium difficile. A propedêutica inicial e mais importante é a pesquisa das toxinas A e B do Clostridium difficile nas fezes, que são os principais fatores de virulência e marcadores diagnósticos da doença.
A colite pseudomembranosa, causada pela toxina do Clostridium difficile, é uma infecção nosocomial comum e grave, especialmente em pacientes idosos, imunocomprometidos e com histórico de uso recente de antibióticos. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal pelos antibióticos, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação e dano à mucosa colônica. É uma causa importante de morbimortalidade em ambientes hospitalares. O quadro clínico típico inclui diarreia aquosa, dor abdominal, febre e leucocitose, podendo evoluir para desidratação, choque e megacólon tóxico. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B do Clostridium difficile nas fezes. A colonoscopia pode revelar as pseudomembranas características, mas geralmente não é necessária para o diagnóstico. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível) e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. O metronidazol oral pode ser uma alternativa em casos leves. Em situações de infecção recorrente ou grave, o transplante de microbiota fecal pode ser considerado. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção hospitalar.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, hospitalização prolongada, uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), uso de inibidores de bomba de prótons e imunossupressão (como uso de corticosteroides).
O exame diagnóstico de escolha é a pesquisa das toxinas A e B do Clostridium difficile nas fezes. Outros exames, como PCR para o gene da toxina ou GDH (glutamato desidrogenase), também podem ser utilizados, muitas vezes em algoritmos de dois passos.
Deve-se suspeitar em qualquer paciente internado, especialmente idosos ou imunocomprometidos, que desenvolva diarreia aquosa (com ou sem muco/sangue), dor abdominal, febre e leucocitose, principalmente se houver história de uso recente de antibióticos ou corticosteroides.
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