USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Mulher, 64 anos de idade, se queixa de dor abdominal difusa de forte intensidade há 24 horas, acompanhada de febre e diarreia sem sangue. Nega sintomas urinários. Antecedente de internação prévia há 1 mês devido a pneumonia. Refere tabagismo. Tem hipertensão arterial sistêmica e diabete melito, controlados com medicamentos. Ao exame físico: Regular estado geral, FC:110 bcp, FR: 16, PA: 100x70 mmHg; Ausculta torácica sem alterações. Abdome distendido, doloroso com sinais de irritação peritoneal difusamente. Exames bioquímicos: Hb: 11,3 g/dL; Leuco: 19,57 mil/mm³; PCR: 60mg/dL; Creat: 2,19 mg/dL; Ureia: 141 mg/dl; Lactato: 28 mg/dL; Gasometria sem outras alterações; Tomografia de abdome: Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Dor abdominal difusa + febre + diarreia + histórico recente ATB/internação + irritação peritoneal → Colite pseudomembranosa grave.
A colite pseudomembranosa, causada por *Clostridioides difficile*, deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com histórico recente de internação ou uso de antibióticos, que apresentam dor abdominal, febre, diarreia (mesmo sem sangue) e sinais de irritação peritoneal, indicando uma forma grave da doença.
A colite pseudomembranosa é uma inflamação grave do cólon causada pela toxina de *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*), uma bactéria oportunista que prolifera após a disrupção da microbiota intestinal, geralmente pelo uso de antibióticos. É uma causa comum de diarreia nosocomial e pode ter alta morbimortalidade, especialmente em idosos e imunocomprometidos, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico. A fisiopatologia envolve a produção de toxinas A e B por *C. difficile*, que causam dano à mucosa intestinal, inflamação e formação de pseudomembranas. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por diarreia, dor abdominal, febre e leucocitose, especialmente em pacientes com histórico de uso recente de antibióticos ou internação. Exames laboratoriais e de imagem, como a tomografia, auxiliam na avaliação da gravidade e complicações, mas a confirmação é feita pela detecção das toxinas ou do DNA da bactéria nas fezes. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de antibióticos específicos contra *C. difficile*, como vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves ou complicados, como megacólon tóxico ou perfuração, pode ser necessária intervenção cirúrgica. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações e melhorar o prognóstico do paciente.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), internação hospitalar prolongada, idade avançada, imunossupressão, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades como diabetes.
A manifestação varia de diarreia leve a colite fulminante com dor abdominal intensa, febre, leucocitose, desidratação e sinais de irritação peritoneal. Pode evoluir para megacólon tóxico, perfuração intestinal e sepse, sendo crucial a identificação precoce.
A tomografia pode evidenciar espessamento da parede do cólon, ascite e, em casos graves, sinais de megacólon tóxico ou perfuração. Ela auxilia na avaliação da extensão da inflamação e na identificação de complicações, mas o diagnóstico definitivo é microbiológico.
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