Colite Pseudomembranosa em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Lactente, 18 meses, com sepse de foco urinário. Apresentou evolução clínica satisfatória, em uso de antibióticos de largo espectro, mas na segunda semana de tratamento desenvolveu quadro de cólica e distensão abdominal, acompanhado de evacuações líquidas com muco e sangue e desidratação grave. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) intolerância adquirida à lactose
  2. B) alergia a antibioticoterapia
  3. C) colite pseudomembranosa
  4. D) infecção por Giardia Lamblia

Pérola Clínica

Lactente em uso de ATB de largo espectro + diarreia com muco e sangue, cólica e distensão abdominal → Colite Pseudomembranosa por Clostridioides difficile.

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa, causada pela toxina de Clostridioides difficile, é uma complicação comum do uso de antibióticos de largo espectro, especialmente em pacientes hospitalizados. Em lactentes, manifesta-se com diarreia, cólica, distensão abdominal e, em casos graves, desidratação e sangue nas fezes.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa é uma inflamação grave do cólon causada pela superpopulação e produção de toxinas pela bactéria Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile). É a causa mais comum de diarreia associada a antibióticos, sendo um problema significativo em ambientes hospitalares. A doença pode variar de diarreia leve a um quadro fulminante com megacólon tóxico e perfuração intestinal, especialmente em pacientes vulneráveis como lactentes. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal normal pelos antibióticos de largo espectro, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas (Toxina A e Toxina B) que causam dano à mucosa intestinal, inflamação e formação das pseudomembranas. Os sintomas incluem diarreia aquosa, cólicas abdominais, febre, distensão abdominal e, em casos mais graves, muco e sangue nas fezes, desidratação e leucocitose. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas de C. difficile nas fezes. O tratamento primário consiste na suspensão do antibiótico agressor e no início de terapia específica com metronidazol oral (para casos leves a moderados) ou vancomicina oral (para casos graves ou refratários). A hidratação rigorosa e o suporte eletrolítico são essenciais, especialmente em lactentes com desidratação grave. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção para evitar a disseminação hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para colite pseudomembranosa em lactentes?

Os principais fatores de risco incluem o uso recente de antibióticos de largo espectro (como cefalosporinas e clindamicina), internação hospitalar prolongada, imunossupressão e idade avançada, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, inclusive em lactentes.

Como é feito o diagnóstico de colite pseudomembranosa?

O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por métodos imunoenzimáticos ou PCR. Em casos graves, a colonoscopia pode revelar as pseudomembranas características.

Qual o tratamento para colite pseudomembranosa em crianças?

O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de metronidazol oral para casos leves a moderados, ou vancomicina oral para casos graves ou refratários. A hidratação e o suporte nutricional são fundamentais.

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