Colite Pseudomembranosa: Diagnóstico e Fatores de Risco

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 79 anos, em internação prolongada por osteomielite crônica, atualmente em uso de Piperacilina + Tazobactan para tratamento de pneumonia associada à assistência à saúde. Após 5 dias da introdução do antibiótico o paciente apresentou diarreia aquosa em grande quantidade, dor abdominal e febre. Nos exames laboratoriais apresentou leucocitose e protéina C reativa ultrassensível elevada. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Colite pseudomembranosa.
  2. B) Colecistite alitiásica.
  3. C) Diarreia osmótica.
  4. D) Giardíase.

Pérola Clínica

Diarreia aquosa, dor abdominal e febre após uso de ATB (especialmente Piperacilina/Tazobactan) em idoso internado → Colite Pseudomembranosa por C. difficile.

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa, causada por Clostridioides difficile, deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos, internados por tempo prolongado e em uso recente de antibióticos de amplo espectro, que desenvolvem diarreia aquosa, dor abdominal e febre, acompanhados de leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. A Piperacilina + Tazobactan é um antibiótico com alto risco para essa complicação.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa, causada pela bactéria anaeróbia Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile), é uma das infecções nosocomiais mais comuns e uma causa significativa de morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes hospitalizados. A epidemiologia da infecção por C. difficile (ICD) está intimamente ligada ao uso de antibióticos, que alteram a flora intestinal protetora, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas que causam a inflamação colônica. A compreensão dessa condição é crucial para residentes, dada sua prevalência e o impacto na gestão de pacientes internados. A fisiopatologia envolve a disbiose intestinal induzida por antibióticos, que permite a germinação de esporos de C. difficile e a produção de toxinas A e B. Essas toxinas causam dano celular, inflamação e formação das pseudomembranas características no cólon. Os sintomas clássicos incluem diarreia aquosa (que pode ser profusa), dor abdominal, febre e leucocitose. A suspeita clínica é alta em pacientes com fatores de risco, como internação prolongada, idade avançada e uso recente de antibióticos de amplo espectro, como Piperacilina + Tazobactan. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas ou do DNA do C. difficile nas fezes. O tratamento da ICD envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com antibióticos como vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves ou recorrentes, pode ser considerado o transplante de microbiota fecal. O prognóstico varia com a gravidade da infecção e a presença de comorbidades, sendo essencial o reconhecimento precoce e a intervenção adequada para prevenir complicações como megacólon tóxico, perfuração intestinal e sepse. A prevenção, através do uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção, é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de infecção por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente de amplo espectro como clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas/inibidores de beta-lactamase), idade avançada, internação hospitalar prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da infecção por Clostridioides difficile?

O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de C. difficile nas fezes, geralmente por ensaios imunoenzimáticos (EIA) ou testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT), como PCR, que é mais sensível. A cultura de fezes não é recomendada para diagnóstico de rotina.

Qual a importância da Piperacilina + Tazobactan no contexto da infecção por C. difficile?

A Piperacilina + Tazobactan é um antibiótico de amplo espectro que, como outros antibióticos de amplo espectro, altera a microbiota intestinal normal, favorecendo a proliferação de C. difficile e a produção de suas toxinas, aumentando o risco de colite pseudomembranosa.

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