UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Após avaliação de um paciente internado por pé diabético infectado - com uso por tempo prolongado de ceftriaxona e clindamicina - que evoluiu com quadro de febre e mais de 10 episódios/dia de diarreia aquosa, levantou-se a hipótese de colite pseudomembranosa. O exame que tem maior importância para confirmação deste diagnóstico é:
Suspeita de colite pseudomembranosa pós-ATB → Pesquisa de toxinas A e B de C. difficile nas fezes.
A colite pseudomembranosa, frequentemente causada por *Clostridioides difficile* após uso prolongado de antibióticos, manifesta-se com diarreia aquosa e febre. O diagnóstico de confirmação mais importante é a pesquisa das toxinas A e B do *C. difficile* nas fezes, que são os fatores de virulência responsáveis pela patogenia da doença.
A colite pseudomembranosa, causada principalmente por *Clostridioides difficile*, é uma complicação grave e relativamente comum do uso de antibióticos, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes. O quadro clínico típico envolve diarreia aquosa profusa, dor abdominal e febre, especialmente em pacientes com histórico de uso recente de antibióticos de amplo espectro, como ceftriaxona e clindamicina. A suspeita clínica é o primeiro passo crucial para um manejo adequado. O diagnóstico definitivo da infecção por *C. difficile* baseia-se na detecção das toxinas A e B nas fezes. Métodos como PCR para o gene da toxina também são utilizados, mas a presença das toxinas é fundamental para confirmar a doença ativa. Outros exames, como a calprotectina fecal, podem indicar inflamação, mas não são específicos para a etiologia. A colonoscopia pode revelar as pseudomembranas características, mas é mais invasiva e geralmente reservada para casos atípicos ou refratários. Para residentes, é vital reconhecer a apresentação clínica, solicitar o exame correto e iniciar o tratamento prontamente. O manejo inclui a suspensão do antibiótico causador e a administração de antibióticos específicos como vancomicina oral ou fidaxomicina. A prevenção, através do uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção, é igualmente importante para reduzir a incidência dessa condição nos ambientes hospitalares.
Os principais fatores de risco incluem uso recente ou prolongado de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização prolongada, comorbidades graves e uso de inibidores de bomba de prótons.
As toxinas A (enterotoxina) e B (citotoxina) são os principais fatores de virulência do *C. difficile*, responsáveis pelos danos à mucosa intestinal e pelos sintomas da colite. Sua detecção nas fezes é o método mais confiável para confirmar a infecção ativa e a doença.
O tratamento inicial envolve a interrupção do antibiótico causador, se possível, e o início de antibióticos específicos contra *C. difficile*, como vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves, pode ser considerada a metronidazol intravenosa ou até transplante de microbiota fecal.
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