Colite Pseudomembranosa Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Lactente, um ano, previamente saudável é internado com quadro de infecção urinária e bacteremia. Boa evolução clínica, em uso de antibióticos de largo espectro. No décimo dia do tratamento passou a apresentar cólica e distensão abdominal, vários episódios de evacuações líquidas com muco e sangue e desidratação grave. A opção que descreve o provável diagnóstico, os exames laboratoriais necessários para sua confirmação e o tratamento são:

Alternativas

  1. A) alergia ao esquema de antibióticos, hemograma para avaliação de eosinofilia, modificação do esquema de antibióticos
  2. B) intolerância adquirida à lactose, pesquisa de substâncias redutoras nas fezes, suspensão dos derivados do leite de vaca
  3. C) colite pseudomembranosa, pesquisa de toxinas nas fezes, suspensão dos antibióticos em uso
  4. D) parasitose intestinal, parasitológico de fezes, albendazol em dose única
  5. E) gastrite aguda, endoscopia digestiva alta, omeprazol

Pérola Clínica

Diarreia grave com muco/sangue após ATB de largo espectro em lactente → Colite pseudomembranosa (C. difficile).

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa é uma complicação grave do uso de antibióticos, especialmente de largo espectro, que alteram a microbiota intestinal e permitem a proliferação de Clostridioides difficile. Em lactentes, manifesta-se com diarreia intensa, cólica, distensão e pode levar à desidratação grave e sepse.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa, causada principalmente por Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile), é uma infecção intestinal grave que ocorre frequentemente após o uso de antibióticos. Em lactentes, é uma condição de particular preocupação devido à imaturidade do sistema imunológico e à rápida progressão para desidratação e complicações sistêmicas. A epidemiologia mostra um aumento na incidência e gravidade em crianças. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal pelos antibióticos, permitindo a superpopulação de C. difficile. As cepas toxigênicas produzem toxinas A e B, que causam inflamação, necrose da mucosa e formação de pseudomembranas. A suspeita diagnóstica surge em pacientes com diarreia (especialmente com muco e sangue), cólicas abdominais e distensão, que estão em uso ou usaram recentemente antibióticos de largo espectro. O tratamento primário consiste na suspensão do antibiótico ofensivo. A terapia medicamentosa inclui metronidazol oral para casos leves a moderados e vancomicina oral para casos graves ou que não respondem ao metronidazol. Em casos muito graves ou refratários, pode ser considerada a fidaxomicina ou até mesmo transplante de microbiota fecal. A reposição hidroeletrolítica é crucial para combater a desidratação.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para colite pseudomembranosa em lactentes?

O principal fator de risco é o uso de antibióticos de largo espectro, que alteram a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de Clostridioides difficile e a produção de toxinas. Hospitalização prolongada e imunodeficiência também são fatores.

Qual o exame laboratorial confirmatório para colite pseudomembranosa?

O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por imunoensaio enzimático (EIA) ou PCR para o gene da toxina.

Qual a conduta inicial no tratamento da colite pseudomembranosa em crianças?

A conduta inicial inclui a suspensão do antibiótico causador, se clinicamente possível. O tratamento medicamentoso específico é com metronidazol oral para casos leves a moderados, ou vancomicina oral para casos graves ou refratários.

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