Colite Pseudomembranosa: Diagnóstico e Manejo Pós-Operatório

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 65 anos submetido à colecistectomia + exploração de vias biliares por colecistite aguda + coledocolitíase. No 7ºPO, em uso de Ceftriaxona + Metronidazol, apresenta-se em bom estado geral, descorado +, hidratado, anictérico, pico febril de 39,3ºC, PA 130 x 70 mmhg, FC 95 bpm, Sat. O2 94%, AR – MV +, sem ruídos adventícios, ACV – BRNF 2T, sem sopros. Abdome – flácido, doloroso em torno da ferida operatória que encontra-se seca e limpa, RHA aumentados. EXT – bem perfundidas e sem edemas. Enfermagem relata que passou a apresentar diarreia. Qual a provável causa da febre?

Alternativas

  1. A) Atelectasia.
  2. B) Pneumonia.
  3. C) Colite pseudo-membranosa.
  4. D) Infecção da ferida operatória.

Pérola Clínica

Diarreia + febre + uso ATB (Ceftriaxona) pós-op → Colite pseudomembranosa (Clostridioides difficile).

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa, causada por Clostridioides difficile, deve ser fortemente suspeitada em pacientes com diarreia e febre no pós-operatório, especialmente após uso prolongado de antibióticos de amplo espectro como a ceftriaxona, que alteram a microbiota intestinal.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa é uma inflamação grave do cólon, geralmente causada pela toxina da bactéria Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile). É uma complicação comum e potencialmente fatal do uso de antibióticos, especialmente em pacientes hospitalizados e no pós-operatório, devido à alteração da microbiota intestinal normal. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal pelos antibióticos, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação e formação de pseudomembranas na mucosa colônica. Os sintomas incluem diarreia aquosa, dor abdominal, febre e leucocitose. A suspeita é alta em pacientes com diarreia e febre após uso de antibióticos, como a ceftriaxona, mesmo que associado a metronidazol. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas ou DNA do C. difficile nas fezes. O tratamento consiste na suspensão do antibiótico agressor e na administração de metronidazol oral ou vancomicina oral, dependendo da gravidade do quadro. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos, higiene das mãos e medidas de controle de infecção para evitar a disseminação hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para colite pseudomembranosa?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente de amplo espectro como cefalosporinas, clindamicina, fluoroquinolonas), idade avançada, hospitalização prolongada, comorbidades graves e cirurgias abdominais.

Como é feito o diagnóstico de colite pseudomembranosa?

O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, ou pela identificação do gene da toxina via PCR. Em casos graves ou refratários, a colonoscopia pode revelar as pseudomembranas características.

Qual o tratamento inicial para a colite pseudomembranosa?

O tratamento inicial envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de metronidazol oral para casos leves a moderados, ou vancomicina oral para casos graves ou refratários, com fidaxomicina como alternativa.

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