Colite Pseudomembranosa: Fatores de Risco e Diagnóstico

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de três anos de idade, previamente hígida, deu entrada na unidade de internação de um hospital com quadro de tosse, febre e secreção nasal, sendo medicada com ceftriaxona, ranitidina, probiótico, ibuprofeno e corticoides. Após quadro dias internada a criança evolui com dor abdominal, retorno da febre e diarreia com sangue nas fezes. Realizou-se pesquisa de toxinas A e B nas fezes para Clostridioides, com resultado positivo. Com base no caso descrito acima, selecione qual o principal fator de risco para aquisição da Colite Pseudomembranosa.

Alternativas

  1. A) Uso da combinação corticoide e anti-inflamatório não esteroidal
  2. B) Uso do corticoide
  3. C) Uso do ibuprofeno
  4. D) Uso da ranitidina
  5. E) Uso da ceftriaxona

Pérola Clínica

Uso de antibióticos de amplo espectro (ex: Ceftriaxona) é o principal fator de risco para Colite Pseudomembranosa por *Clostridioides difficile*.

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa é causada pela proliferação de *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*) no cólon, geralmente após a disrupção da microbiota intestinal normal pelo uso de antibióticos de amplo espectro. A ceftriaxona, uma cefalosporina de terceira geração, é um dos antibióticos mais frequentemente associados a essa condição.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa, causada pela infecção por Clostridioides difficile (CDI), é uma das principais causas de diarreia nosocomial e diarreia associada a antibióticos. A bactéria Clostridioides difficile é um bacilo gram-positivo anaeróbio formador de esporos, que pode ser um comensal da microbiota intestinal, mas se torna patogênico ao produzir toxinas A e B. O principal fator de risco para o desenvolvimento de CDI é o uso de antibióticos, especialmente os de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona), clindamicina e fluoroquinolonas. Esses antibióticos perturbam a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de C. difficile e a produção de suas toxinas, que causam inflamação, necrose da mucosa colônica e formação de pseudomembranas. Outros fatores de risco incluem internação hospitalar prolongada, idade avançada, imunossupressão e uso de inibidores de bomba de prótons ou antagonistas de receptores H2 (como a ranitidina), embora estes últimos sejam considerados fatores secundários. O quadro clínico varia de diarreia leve a grave, podendo evoluir para colite fulminante, megacólon tóxico e perfuração intestinal. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas de C. difficile nas fezes. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de metronidazol ou vancomicina oral, dependendo da gravidade e recorrência. A prevenção, através do uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção, é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da colite pseudomembranosa em crianças?

Em crianças, a colite pseudomembranosa pode se apresentar com dor abdominal, febre, diarreia aquosa ou sanguinolenta, desidratação e, em casos graves, megacólon tóxico.

Por que antibióticos de amplo espectro aumentam o risco de Clostridioides difficile?

Antibióticos de amplo espectro eliminam a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de Clostridioides difficile resistente, que produz toxinas A e B, causando inflamação e diarreia.

Como é feito o diagnóstico de infecção por Clostridioides difficile?

O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, ou por testes moleculares que identificam o gene da toxina, em pacientes com diarreia e fatores de risco.

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