Colite Pseudomembranosa: Diagnóstico e Aspectos Clínicos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Dentre as afirmativas abaixo relacionadas à colite pseudomembranosa, assinale a CORRETA:

Alternativas

  1. A) A prevalência de esporos de C. difficile é muito baixa, mesmo em pacientes hospitalizados, porém a taxa de colonização é alta.
  2. B) A utilização de métodos endoscópicos, como a retossigmoidoscopia e a colonoscopia, pode evidenciar na mucosa intestinal um espectro de alterações que variam de eritema e friabilidade à presença de pseudomembranas.
  3. C) É essencial que a via de administração do antibiótico que desencadeou o quadro tenha sido parenteral.
  4. D) Para o diagnóstico, o exame mais utilizado na prática clínica é o ensaio imunoenzimático, ELISA, que detecta o Clostridium Difficile nas fezes.

Pérola Clínica

Pseudomembranas amareladas na colonoscopia = Patognomônico de colite por C. difficile.

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa é causada pelas toxinas do C. difficile. O diagnóstico endoscópico revela placas amareladas (pseudomembranas), embora o padrão-ouro laboratorial envolva testes de toxinas ou NAAT.

Contexto Educacional

A infecção por Clostridioides difficile (ICD) é a principal causa de diarreia nosocomial em adultos. A fisiopatologia envolve a disbiose da microbiota colônica, permitindo a proliferação do C. difficile e a liberação de enterotoxinas (Toxina A) e citotoxinas (Toxina B). Estas causam inflamação intensa, exsudação de fibrina e morte celular, formando as pseudomembranas. O espectro clínico varia de diarreia leve a colite fulminante com choque. O tratamento de primeira linha atual envolve vancomicina oral ou fidaxomicina, reservando-se o metronidazol apenas para casos leves em cenários de poucos recursos.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da colonoscopia na colite pseudomembranosa?

A colonoscopia ou retossigmoidoscopia desempenha um papel crucial quando o diagnóstico laboratorial é incerto ou quando se necessita de uma confirmação rápida em casos graves. O achado clássico e patognomônico são as pseudomembranas: placas elevadas, amareladas ou esbranquiçadas, de 2 a 10 mm de diâmetro, que recobrem a mucosa inflamada. No entanto, em casos leves, a mucosa pode apresentar apenas eritema inespecífico e friabilidade. Vale ressaltar que a colonoscopia deve ser realizada com cautela (insuflação mínima) em casos de colite fulminante pelo risco de perfuração ou megacólon tóxico.

Como é feito o diagnóstico laboratorial de C. difficile?

O diagnóstico laboratorial moderno geralmente segue um algoritmo de dois passos. Primeiro, realiza-se um teste de triagem altamente sensível, como a pesquisa do antígeno Glutamato Desidrogenase (GDH) ou testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT/PCR) para o gene da toxina. Se positivo, segue-se com um teste altamente específico para detectar a presença das toxinas A e B (geralmente por ELISA). A detecção apenas do gene (PCR) pode indicar colonização sem doença ativa, por isso a correlação clínica com diarreia (≥ 3 evacuações amolecidas em 24h) é indispensável.

Quais antibióticos estão mais associados à colite pseudomembranosa?

Praticamente qualquer antibiótico pode desencadear a infecção por C. difficile ao alterar a microbiota intestinal normal. Historicamente, a clindamicina foi o agente mais associado, mas atualmente as fluoroquinolonas, cefalosporinas de 2ª e 3ª gerações e as penicilinas de amplo espectro (como amoxicilina-clavulanato) são os principais culpados devido ao seu uso extensivo. Importante notar que a via de administração (oral ou parenteral) não altera o risco, e o uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) também é um fator de risco reconhecido.

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