Colite Pseudomembranosa: Diagnóstico e Manejo Pós-Operatório

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 40 anos, no 35º dia pós-operatório de apendicectomia por apendicite aguda e peritonite difusa, que evoluiu com pneumonia em ventilação mecânica. Inicia com quadro de diarreia aquosa com odor fétido, sem sangue e piora da leucocitose. Realiza colonoscopia que demonstra edema mucoso e eritema em mancha no cólon esquerdo. Assinale a opção que indique o diagnóstico mais provável e o exame diagnóstico de maior sensibilidade.

Alternativas

  1. A) Colite isquêmica – arteriografia.
  2. B) Colite pseudomembranosa – coprocultura.
  3. C) Colite isquêmica – análise anatomopatológica.
  4. D) Retocolite ulcerativa idiopática – análise anatomopatológica.
  5. E) Colite pseudomembranosa – teste ELISA para detecção da toxina A ou B nas fezes.

Pérola Clínica

Diarreia aquosa fétida + leucocitose pós-ATB = Colite pseudomembranosa (C. difficile) → Teste ELISA toxina A/B fezes.

Resumo-Chave

O quadro de diarreia aquosa com odor fétido, sem sangue, piora da leucocitose em paciente pós-operatório com histórico de ventilação mecânica e uso de antibióticos (implícito) é altamente sugestivo de colite pseudomembranosa, causada por *Clostridioides difficile*. O exame diagnóstico de maior sensibilidade e especificidade é a detecção das toxinas A ou B de *C. difficile* nas fezes por ELISA.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa é uma inflamação grave do cólon causada pela proliferação de *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*), geralmente após o uso de antibióticos que alteram a microbiota intestinal normal. É uma das principais causas de diarreia nosocomial e pós-antibiótica, com morbidade e mortalidade significativas, especialmente em pacientes debilitados. O quadro clínico típico inclui diarreia aquosa, muitas vezes com odor fétido, dor abdominal, febre e leucocitose, especialmente em pacientes hospitalizados, em pós-operatório ou com histórico de uso recente de antibióticos. A colonoscopia pode revelar pseudomembranas amareladas aderidas à mucosa, mas o diagnóstico definitivo é feito pela detecção das toxinas A e B de *C. difficile* nas fezes, que são os fatores de virulência da bactéria. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador (se possível) e o uso de metronidazol ou vancomicina oral, dependendo da gravidade da doença. Em casos refratários ou graves, pode-se considerar o transplante de microbiota fecal. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas rigorosas de controle de infecção para evitar a disseminação hospitalar do *C. difficile*.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para colite pseudomembranosa?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), hospitalização prolongada, idade avançada, imunossupressão e procedimentos gastrointestinais.

Qual o exame mais sensível para diagnosticar colite pseudomembranosa?

O exame de maior sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de colite pseudomembranosa é a detecção das toxinas A ou B de *Clostridioides difficile* nas fezes, geralmente por imunoensaio enzimático (ELISA).

Quais são as características clínicas da colite pseudomembranosa?

Caracteriza-se por diarreia aquosa (frequentemente com odor fétido), dor abdominal, febre e leucocitose, podendo evoluir para megacólon tóxico, perfuração intestinal e sepse em casos graves.

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