Colite Pseudomembranosa: Diagnóstico e Manejo Pós-Operatório

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 65 anos submetido acolecistectomia + exploração de vias biliares por colecistite aguda + coledocolitíase. No 7ºPO, em uso de Ceftriaxona + Clindamicina, apresenta-se em bom estado geral, descorado +, hidratado, anictérico, pico febril de 39,3ºC, PA 130 x 70 mmhg, FC 95 bpm, Sat. O2 94%, AR – MV +, sem ruídos adventícios, ACV – BRNF 2T, sem sopros. Abdome – flácido, doloroso em torno da ferida operatória que encontra-se seca e limpa, RHA aumentados. EXT – bem perfundidas e sem edemas. Enfermagem relata que passou a apresentar diarreia. Qual a provável causa da febre?

Alternativas

  1. A) Atelectasia.
  2. B) Pneumonia.
  3. C) Colite pseudo-membranosa.
  4. D) Infecção da ferida operatória.

Pérola Clínica

Diarreia + febre no pós-operatório com uso de ATB de amplo espectro = suspeitar de colite pseudomembranosa por C. difficile.

Resumo-Chave

A colite pseudomembranosa, causada por *Clostridioides difficile*, deve ser fortemente suspeitada em pacientes com diarreia e febre no pós-operatório, especialmente aqueles em uso prolongado de antibióticos de amplo espectro, como Ceftriaxona e Clindamicina.

Contexto Educacional

A colite pseudomembranosa, causada pela toxina de *Clostridioides difficile* (anteriormente *Clostridium difficile*), é uma infecção intestinal grave e uma das principais causas de diarreia nosocomial. É frequentemente associada ao uso de antibióticos de amplo espectro, que alteram a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação do *C. difficile*. A Ceftriaxona e a Clindamicina, mencionadas na questão, são antibióticos conhecidos por seu potencial em induzir essa condição. O quadro clínico típico inclui diarreia aquosa (que pode variar de leve a profusa), dor abdominal, febre e leucocitose. A suspeita deve ser alta em pacientes hospitalizados, especialmente no pós-operatório e em uso de antibióticos, que desenvolvem esses sintomas. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas de *C. difficile* nas fezes. O manejo envolve a suspensão do antibiótico causador, se clinicamente viável, e o tratamento específico com metronidazol oral (para casos leves a moderados) ou vancomicina oral (para casos graves ou refratários). A prevenção é fundamental e inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção para evitar a disseminação hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para colite pseudomembranosa?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos de amplo espectro (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), internação hospitalar prolongada, idade avançada e comorbidades.

Como é feito o diagnóstico de colite pseudomembranosa?

O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B de *Clostridioides difficile* nas fezes ou por PCR. Em casos graves, a colonoscopia pode revelar as pseudomembranas características.

Qual o tratamento inicial para colite pseudomembranosa?

O tratamento inicial envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de metronidazol oral para casos leves a moderados, ou vancomicina oral para casos graves ou refratários.

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