HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Uma pessoa foi submetida a gastrectomia total por adenocarcinoma gástrico e no 5° dia de pós-operatório evoluiu com infecção pulmonar de moderada gravidade, sendo tratado com ceftriaxone e quinolona, prescritos para 12 dias, com boa evolução do quadro infeccioso. No 10° dia de tratamento, apresentou diarreia profusa com cerca de 15 evacuações diárias, febre e comprometimento importante do estado geral. Trata-se de:
Diarreia profusa + febre + uso recente de ATB (especialmente cefalosporinas/quinolonas) = suspeitar de Colite por C. difficile.
A colite por Clostridium difficile é uma complicação comum do uso de antibióticos de amplo espectro, como ceftriaxone e quinolonas, que alteram a microbiota intestinal. A diarreia profusa, febre e comprometimento do estado geral em um paciente hospitalizado ou com uso recente de ATB são altamente sugestivos.
A colite por Clostridium difficile, agora mais precisamente chamada de colite por Clostridioides difficile (CDI), é uma infecção intestinal causada pela bactéria Gram-positiva Clostridioides difficile. É uma das principais causas de diarreia nosocomial e está fortemente associada ao uso prévio de antibióticos de amplo espectro, que alteram a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas. A fisiopatologia envolve a produção de toxinas A e B pelo C. difficile, que causam inflamação e dano à mucosa colônica, levando a diarreia, dor abdominal e, em casos graves, colite pseudomembranosa. A suspeita deve surgir em pacientes com diarreia (geralmente >3 evacuações/dia) que tiveram uso recente de antibióticos ou internação hospitalar, especialmente se acompanhada de febre e leucocitose. O tratamento consiste na suspensão do antibiótico que precipitou o quadro, se clinicamente viável, e na administração de antibióticos específicos para C. difficile, como vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos leves a moderados, metronidazol oral pode ser uma opção. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas rigorosas de controle de infecção.
Antibióticos de amplo espectro como clindamicina, cefalosporinas (ex: ceftriaxone), fluoroquinolonas (ex: ciprofloxacino, levofloxacino) e penicilinas de amplo espectro são os mais comumente implicados.
O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B do Clostridium difficile nas fezes, ou pela detecção do gene da toxina (PCR). Em casos graves, pode-se realizar colonoscopia para visualizar pseudomembranas.
O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de antibióticos específicos como vancomicina oral ou fidaxomicina. Metronidazol oral pode ser usado em casos leves a moderados.
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