Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Homem, 73 anos, encontra-se internado para tratamento cirúrgico de fratura de fêmur, após queda acidental da própria altura. Evolui com diarreia aquosa, cerca de 10 evacuações ao dia, sem sangue ou muco, com dor abdominal difusa na última semana. Não apresenta náuseas ou vômitos. Subfebril nos últimos 3 dias, com temperatura chegando a 37,5 o C. Exames laboratoriais: leucócitos = 16800/mm3 com 6% de bastões, PCR = 38 mg/L, função renal normal e exames de fezes em análise. Foi realizada retossigmoidoscopia flexível e a imagem está ilustrada a seguir. O tratamento deve ser feito
Diarreia aquosa + internação recente + leucocitose + pseudomembranas → C. difficile. Tratamento = Vancomicina oral.
O quadro clínico de diarreia aquosa, dor abdominal, febre baixa, leucocitose e PCR elevado em paciente internado, especialmente após cirurgia ou uso de antibióticos, é altamente sugestivo de infecção por Clostridioides difficile. A imagem de retossigmoidoscopia mostrando pseudomembranas confirma o diagnóstico.
A infecção por Clostridioides difficile (ICD) é uma causa comum de diarreia nosocomial, especialmente em pacientes idosos e aqueles com histórico recente de uso de antibióticos. É crucial reconhecer os fatores de risco e a apresentação clínica, que inclui diarreia aquosa, dor abdominal, febre e leucocitose, para um diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico é confirmado pela detecção de toxinas de C. difficile nas fezes ou por achados endoscópicos de pseudomembranas. A gravidade da doença orienta a escolha do tratamento. Para casos não graves, a vancomicina oral é a primeira escolha, enquanto o metronidazol oral pode ser uma alternativa em situações específicas. O manejo da ICD envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início da terapia específica. A vancomicina oral é superior ao metronidazol oral para casos moderados a graves. A prevenção de recorrências e a higiene hospitalar rigorosa são fundamentais para controlar a disseminação da bactéria.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), internação hospitalar prolongada, idade avançada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
A vancomicina oral atinge altas concentrações no lúmen intestinal, onde o Clostridioides difficile reside, sendo minimamente absorvida. A vancomicina venosa não atinge concentrações terapêuticas no intestino para tratar a infecção local.
Os achados endoscópicos característicos são as pseudomembranas, que são placas amareladas ou esbranquiçadas, friáveis e elevadas, que podem coalescer e cobrir grandes áreas da mucosa colônica.
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