Colite por Clostridioides difficile: Diagnóstico e Tratamento

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 64 anos de idade é admitida na unidade de emergência com queixa de dor abdominal em cólica e diarreia há 3 dias. Refere 8 a 10 episódios de evacuação por dia, em pequena quantidade, com presença de muco, associada a tenesmo e febre (38ºC). Tem história de erisipela em membro inferior esquerdo há um mês, a qual foi tratada adequadamente na ocasião.Ao exame físico, está desidratada (+/4+), com frequência cardíaca de 95bpm e pressão arterial de 110x80mmHg. Seu abdome está distendido, com ruídos hidroaéreos aumentados, flácido e doloroso à palpação profunda difusamente, sem sinais de irritação peritoneal.Os exames laboratoriais evidenciaram: Hb: 13,1g/dL (VR: 13 - 18g/dL); leucócitos: 20.600/mm3 (VR: 4000 - 11000/mm³ ); plaquetas: 315.000/mm³ (VR: 140.000 - 450.000/mm³); creatinina: 0,5mg/dL (VR: 0,7 - 1,2mg/dL) e ureia: 20mg/dL (VR: 10 - 50mg/dL). Foi realizada tomografia computadorizada de abdome total, que evidenciou as alterações presentes na imagem a seguir:Qual é a conduta terapêutica que deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Metronidazol
  2. B) Loperamida
  3. C) Clindamicina
  4. D) Fluconazol
  5. E) Prednisona

Pérola Clínica

Diarreia + febre + leucocitose + história recente ATB → Suspeitar Clostridioides difficile → Metronidazol.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia com muco, tenesmo, febre e leucocitose em paciente com história recente de uso de antibióticos (para erisipela) é altamente sugestivo de colite por Clostridioides difficile, cuja primeira linha de tratamento é o metronidazol oral ou vancomicina oral.

Contexto Educacional

A colite por Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile) é uma causa comum de diarreia infecciosa, especialmente em pacientes hospitalizados ou com história recente de uso de antibióticos. A paciente do caso apresenta um quadro clássico: diarreia com muco e tenesmo, febre, leucocitose e histórico de tratamento para erisipela, o que sugere fortemente a etiologia por C. difficile. A imagem da TC, embora não fornecida, provavelmente mostraria espessamento da parede do cólon, compatível com colite. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B do C. difficile nas fezes. O tratamento depende da gravidade da doença. Para casos leves a moderados, o metronidazol oral é a primeira escolha. Para casos mais graves ou refratários, a vancomicina oral é preferível. É crucial suspender o antibiótico que desencadeou a infecção, se possível. A loperamida e outros agentes antimotilidade são contraindicados, pois podem prolongar a exposição às toxinas e aumentar o risco de complicações graves, como megacólon tóxico. A prednisona (corticosteroide) e o fluconazol (antifúngico) não têm papel no tratamento da colite por C. difficile. A clindamicina é um dos antibióticos que mais frequentemente induz a colite por C. difficile, portanto, não seria uma opção terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para colite por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Qual o papel do metronidazol no tratamento da colite por C. difficile?

O metronidazol oral é uma opção de primeira linha para casos leves a moderados de colite por C. difficile, atuando contra a bactéria anaeróbia. Para casos graves ou refratários, a vancomicina oral é preferida devido à sua maior eficácia.

Por que a loperamida é contraindicada nesse cenário?

A loperamida, um agente antimotilidade, pode retardar a eliminação das toxinas do Clostridioides difficile do trato gastrointestinal, potencialmente agravando a doença, prolongando a infecção e aumentando o risco de megacólon tóxico.

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