Colite por Clostridioides difficile: Diagnóstico e Tratamento

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Homem de 85 anos, diabético e hipertenso, em tratamento de pneumonia hospitalar, foi internado há 7 dias devido a uma fratura de fêmur. O médico assistente iniciou o Piperacilina com Tazobactan e após 2 dias o paciente apresentou diarreia aquosa em grande quantidade, dor abdominal e febre. Nos exames laboratoriais, apresentou leucocitose e protéina C reativa ultrassensível elevada. Solicitado novos exames, apresentava lipase, amilase e lactato normais. Qual é o diagnóstico MAIS provável e tratamento?

Alternativas

  1. A) Colite pseudomembranosa / suspender antibiótico e iniciar probiótico.
  2. B) Colecistite alitiásica / ampliação do esquema antibiótico.
  3. C) Diarreia osmótica dos antibióticos / suspender antibiótico.
  4. D) Colite pseudomembranosa / iniciar metronidazol oral.

Pérola Clínica

Diarreia aquosa + dor abdominal + febre + leucocitose em paciente hospitalizado usando ATB (Piperacilina/Tazobactan) → Colite por Clostridioides difficile. Tratamento: Metronidazol oral.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia aquosa, dor abdominal, febre e leucocitose em um paciente idoso, internado e em uso de antibióticos de amplo espectro (Piperacilina/Tazobactan), é altamente sugestivo de colite pseudomembranosa, causada por Clostridioides difficile. A suspensão do antibiótico agressor e o início de metronidazol oral são as condutas corretas.

Contexto Educacional

A colite por Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile) é uma das causas mais comuns de diarreia infecciosa nosocomial e está intrinsecamente ligada ao uso de antibióticos. Representa um desafio significativo em ambientes hospitalares devido à sua morbidade, mortalidade e potencial de surtos. A compreensão de sua epidemiologia, fatores de risco e manejo é crucial para residentes e profissionais de saúde. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal normal pelos antibióticos, permitindo a proliferação de C. difficile e a produção de toxinas (Toxina A e B) que causam inflamação e dano à mucosa colônica. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com diarreia, dor abdominal, febre e leucocitose, especialmente se houver histórico de uso recente de antibióticos ou hospitalização. A confirmação é laboratorial, pela detecção das toxinas ou do gene da toxina nas fezes. O tratamento primário envolve a suspensão do antibiótico agressor, se possível, e o início de terapia específica. Para casos leves a moderados, o metronidazol oral é a primeira escolha. Para casos mais graves, ou refratários, a vancomicina oral ou fidaxomicina são indicadas. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção rigorosas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para colite por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente ou prolongado de antibióticos (especialmente de amplo espectro como Piperacilina/Tazobactan, clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da infecção por Clostridioides difficile?

O diagnóstico laboratorial é feito pela detecção de toxinas A e B de Clostridioides difficile ou do gene da toxina (PCR) em amostras de fezes. A cultura pode ser realizada, mas a detecção das toxinas é mais rápida e clinicamente relevante.

Qual a diferença entre colite pseudomembranosa e diarreia associada a antibióticos?

Diarreia associada a antibióticos é um termo amplo para qualquer diarreia que ocorre durante ou após o uso de antibióticos. A colite pseudomembranosa é uma forma grave de diarreia associada a antibióticos, causada especificamente pela infecção por Clostridioides difficile, caracterizada pela formação de pseudomembranas no cólon.

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