Colite por Clostridioides difficile: Diagnóstico e Fatores de Risco

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2023

Enunciado

Paciente institucionalizado cronicamente apresentando diarreia invasiva, febre e dor abdominal. Histórico de uso de múltiplos antibióticos. Pesquisadas toxinas nas fezes com resultado positivo. O agente etiológico associado à colite acima descrita é:

Alternativas

  1. A) Escherichia coli
  2. B) Klebsiella pneumoniae
  3. C) Clostridium difficile
  4. D) Staphylococcus aureus

Pérola Clínica

Diarreia invasiva + febre + dor abdominal + histórico ATB + toxinas nas fezes → Colite por Clostridioides difficile.

Resumo-Chave

A colite por Clostridioides difficile é uma infecção intestinal grave, comumente associada ao uso prévio de antibióticos que alteram a microbiota intestinal. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B do C. difficile nas fezes, e é mais prevalente em pacientes institucionalizados ou hospitalizados.

Contexto Educacional

A infecção por Clostridioides difficile (ICD), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma causa importante de diarreia associada a antibióticos e colite pseudomembranosa, especialmente em ambientes de saúde. É uma bactéria gram-positiva anaeróbia que produz toxinas (A e B) responsáveis pela patogênese da doença. A epidemiologia mostra que a ICD é uma das principais infecções nosocomiais, com alta morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes imunocomprometidos. A fisiopatologia da ICD inicia-se com a disrupção da microbiota intestinal normal pelo uso de antibióticos, permitindo a proliferação do C. difficile. A bactéria então produz toxinas que causam inflamação, dano à mucosa intestinal e diarreia. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com diarreia (≥3 evacuações não formadas em 24h) e histórico de uso recente de antibióticos ou hospitalização, e é confirmado pela detecção das toxinas nas fezes. É crucial diferenciar a colonização assintomática da doença ativa. O tratamento da ICD envolve a interrupção do antibiótico precipitante, se possível, e o uso de antibióticos específicos como vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos de recorrência, o transplante de microbiota fecal pode ser uma opção. Residentes devem estar atentos aos fatores de risco, saber como diagnosticar e tratar a ICD, e implementar medidas de controle de infecção para prevenir sua disseminação em ambientes hospitalares, dada a sua relevância clínica e epidemiológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a infecção por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem o uso prévio de antibióticos (especialmente de amplo espectro), idade avançada, hospitalização prolongada, institucionalização (casas de repouso), uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves. A alteração da microbiota intestinal pelos antibióticos é o fator mais crítico.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da colite por Clostridioides difficile?

O diagnóstico laboratorial é feito pela detecção das toxinas A e B do Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por imunoensaio enzimático (EIA) ou PCR para o gene da toxina. A cultura de fezes para o microrganismo não é recomendada para diagnóstico, pois pode haver colonização assintomática.

Qual a conduta terapêutica inicial para a colite por Clostridioides difficile?

A conduta terapêutica inicial envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível. O tratamento específico é com antibióticos como vancomicina oral ou fidaxomicina, dependendo da gravidade da doença. Metronidazol oral pode ser usado em casos leves, mas é menos eficaz que a vancomicina.

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