PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Paciente 58 anos admitido no hospital para tratamento de uma pneumonia bacteriana que evoluiu para insuficiência respiratória, sendo admitido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sob ventilação mecânica. O quadro apresentou piora significativa após 7 dias de UTI, mesmo com uma melhora inicial de tratamento com amoxicilina e azitromicina. Desta forma, ficou diagnosticado um quadro de pneumonia hospitalar associada à ventilação mecânica e o paciente recebeu amicacina e sulfametoxazol-trimetoprim com parte do protocolo institucional por 5 dias. As culturas vieram negativas (hemocultura e aspirado traqueal). Sendo assim, os antibióticos foram interrompidos, o paciente apresentou melhora significativa e recebeu alta para a enfermaria. No 2º. dia de enfermaria, iniciou com quadro diarreico (7 episódios de fezes amolecidas para aquosas), dor abdominal, sem outras alterações clínicas. Exames laboratoriais apenas demonstrou um aumento de leucócitos sanguíneos de 8mil para 18mil. A partir desse caso, assinale a afirmativa CORRETA.
Colite por C. difficile pós-ATB → Vancomicina oral é 1ª escolha para tratamento.
A colite por Clostridioides difficile é uma complicação comum do uso de antibióticos, manifestando-se com diarreia e leucocitose. A vancomicina oral é a droga de escolha para o tratamento, especialmente em casos moderados a graves.
A colite por Clostridioides difficile (CCD) é uma infecção intestinal causada pela bactéria C. difficile, que prolifera no cólon após a disrupção da microbiota intestinal normal, geralmente pelo uso de antibióticos. É uma causa comum de diarreia nosocomial e pode variar de um quadro leve a uma colite fulminante com megacólon tóxico. A epidemiologia mostra um aumento da incidência e gravidade nos últimos anos. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com diarreia (≥3 evacuações não formadas em 24h) e histórico de uso recente de antibióticos ou internação. A leucocitose é um achado comum. O diagnóstico laboratorial baseia-se na detecção das toxinas A/B de C. difficile nas fezes, sendo o PCR para o gene da toxina o método mais sensível e específico. É crucial não testar pacientes assintomáticos ou com diarreia leve sem fatores de risco. O tratamento de escolha para a maioria dos casos de CCD é a vancomicina oral. O metronidazol oral pode ser usado em casos leves, mas é menos eficaz que a vancomicina. Para casos graves ou recorrentes, a fidaxomicina ou o transplante de microbiota fecal (TMF) são opções. O TMF é reservado para múltiplas recorrências, não para a primeira. A interrupção do antibiótico causador, se possível, é fundamental.
Os principais fatores de risco incluem o uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), internação hospitalar prolongada, idade avançada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A/B de C. difficile nas fezes, geralmente por ensaios imunoenzimáticos (EIA) ou testes moleculares como PCR para o gene da toxina, sendo este último mais sensível. A cultura isolada não é recomendada.
O transplante de microbiota fecal é indicado para casos de infecção recorrente por C. difficile, geralmente após falha de múltiplos ciclos de antibioticoterapia, e não na primeira recorrência.
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