UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
Homem, 68 anos, tabagista é submetido à correção de aneurisma de aorta abdominal. No segundo dia de pós-operatório apresenta dor e distensão abdominal, com quadro de sepse de evolução rápida. A hipótese diagnóstica mais provável para este quadro é:
Pós-op AAA + dor/distensão abdominal + sepse = suspeitar colite isquêmica.
A colite isquêmica é uma complicação grave e relativamente comum após a correção de aneurisma de aorta abdominal, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo. A manipulação ou ligadura de vasos mesentéricos durante a cirurgia pode comprometer o suprimento sanguíneo do cólon, levando à isquemia e necrose, com rápida evolução para sepse.
A correção cirúrgica do aneurisma de aorta abdominal (AAA) é um procedimento comum em pacientes idosos, frequentemente com comorbidades como tabagismo e aterosclerose. Embora a cirurgia seja eficaz na prevenção da ruptura do aneurisma, ela não é isenta de complicações. A colite isquêmica é uma das complicações mais temidas, com alta morbimortalidade, e deve ser prontamente reconhecida no pós-operatório. A fisiopatologia da colite isquêmica pós-AAA está relacionada à interrupção do suprimento sanguíneo para o cólon, particularmente o cólon esquerdo, que é irrigado pela artéria mesentérica inferior. Durante a cirurgia, esta artéria pode ser ligada ou seu fluxo pode ser comprometido devido à dissecção ou clampeamento da aorta. Em pacientes com doença aterosclerótica preexistente, a circulação colateral pode ser insuficiente, levando à isquemia e, consequentemente, à necrose do cólon. O quadro clínico típico inclui dor e distensão abdominal, diarreia (que pode ser sanguinolenta), febre e sinais de sepse, que podem evoluir rapidamente. O diagnóstico precoce é crucial e envolve alta suspeição clínica, exames laboratoriais (leucocitose, acidose metabólica) e de imagem (TC de abdome). O tratamento pode variar de medidas de suporte a intervenção cirúrgica para ressecção do segmento necrótico, sendo a laparotomia exploradora indicada em casos de peritonite ou necrose estabelecida.
Durante a correção do AAA, a ligadura ou manipulação da artéria mesentérica inferior ou de outras artérias que suprem o cólon pode comprometer o fluxo sanguíneo, especialmente em pacientes com aterosclerose preexistente, levando à isquemia.
Os sinais incluem dor abdominal, distensão, diarreia (muitas vezes sanguinolenta), febre, leucocitose e, em casos graves, sinais de sepse como hipotensão e taquicardia, indicando necrose intestinal.
O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como tomografia abdominal com contraste, que pode mostrar espessamento da parede do cólon. O tratamento varia de suporte clínico a cirurgia para ressecção do segmento necrótico, dependendo da gravidade.
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