Colite Isquêmica Pós-AAA: Diagnóstico e Manejo

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 68 anos, tabagista é submetido à correção de aneurisma de aorta abdominal. No segundo dia de pós-operatório apresenta dor e distensão abdominal, com quadro de sepse de evolução rápida. A hipótese diagnóstica mais provável para este quadro é:

Alternativas

  1. A) atelectasia pós operatória
  2. B) infecção da prótese da aorta
  3. C) colite isquêmica com necrose do cólon
  4. D) pielonefrite por baixo fluxo renal

Pérola Clínica

Pós-op AAA + dor/distensão abdominal + sepse = suspeitar colite isquêmica.

Resumo-Chave

A colite isquêmica é uma complicação grave e relativamente comum após a correção de aneurisma de aorta abdominal, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo. A manipulação ou ligadura de vasos mesentéricos durante a cirurgia pode comprometer o suprimento sanguíneo do cólon, levando à isquemia e necrose, com rápida evolução para sepse.

Contexto Educacional

A correção cirúrgica do aneurisma de aorta abdominal (AAA) é um procedimento comum em pacientes idosos, frequentemente com comorbidades como tabagismo e aterosclerose. Embora a cirurgia seja eficaz na prevenção da ruptura do aneurisma, ela não é isenta de complicações. A colite isquêmica é uma das complicações mais temidas, com alta morbimortalidade, e deve ser prontamente reconhecida no pós-operatório. A fisiopatologia da colite isquêmica pós-AAA está relacionada à interrupção do suprimento sanguíneo para o cólon, particularmente o cólon esquerdo, que é irrigado pela artéria mesentérica inferior. Durante a cirurgia, esta artéria pode ser ligada ou seu fluxo pode ser comprometido devido à dissecção ou clampeamento da aorta. Em pacientes com doença aterosclerótica preexistente, a circulação colateral pode ser insuficiente, levando à isquemia e, consequentemente, à necrose do cólon. O quadro clínico típico inclui dor e distensão abdominal, diarreia (que pode ser sanguinolenta), febre e sinais de sepse, que podem evoluir rapidamente. O diagnóstico precoce é crucial e envolve alta suspeição clínica, exames laboratoriais (leucocitose, acidose metabólica) e de imagem (TC de abdome). O tratamento pode variar de medidas de suporte a intervenção cirúrgica para ressecção do segmento necrótico, sendo a laparotomia exploradora indicada em casos de peritonite ou necrose estabelecida.

Perguntas Frequentes

Por que a colite isquêmica é uma complicação comum após a correção de aneurisma de aorta abdominal?

Durante a correção do AAA, a ligadura ou manipulação da artéria mesentérica inferior ou de outras artérias que suprem o cólon pode comprometer o fluxo sanguíneo, especialmente em pacientes com aterosclerose preexistente, levando à isquemia.

Quais são os sinais e sintomas de colite isquêmica no pós-operatório?

Os sinais incluem dor abdominal, distensão, diarreia (muitas vezes sanguinolenta), febre, leucocitose e, em casos graves, sinais de sepse como hipotensão e taquicardia, indicando necrose intestinal.

Como é feito o diagnóstico e tratamento da colite isquêmica?

O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como tomografia abdominal com contraste, que pode mostrar espessamento da parede do cólon. O tratamento varia de suporte clínico a cirurgia para ressecção do segmento necrótico, dependendo da gravidade.

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