Colite Isquêmica: Diagnóstico em Pacientes Idosos com Dor Abdominal

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 80 anos deu entrada na emergência com quadro de dor abdominal há 4 dias, em pontada, intensa, de início periumbilical, posteriormente irradiando para todo abdome, mais intensa à esquerda, acompanhada de diarreia mucossanguinolenta. Refere dor semelhante (menos intensa) há 3 meses. Hipertensa, portadora de 2 stents coronarianos por Infarto Agudo do Miocárdio há 2 anos. Ao exame físico, Tax. 37,8 °C, estável hemodinamicamente, pouca sensibilidade à palpação profunda do abdome; descompressão brusca negativa. Após estabilização e tratamento iniciais, foi submetida à colonoscopia que detectou em cólon sigmoide mucosa pálida, hemorrágica, com placas de inflamação intercaladas entre mucosa saudável. A primeira hipótese a ser levantada é:

Alternativas

  1. A) aneurisma de aorta roto.
  2. B) trombose da veia porta.
  3. C) trombose da veia cava inferior.
  4. D) retocolite ulcerativa.
  5. E) colite isquêmica.

Pérola Clínica

Dor abdominal + diarreia mucossanguinolenta + fatores de risco CV em idoso → Colite isquêmica.

Resumo-Chave

A colite isquêmica deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com dor abdominal súbita, diarreia mucossanguinolenta e histórico de doença cardiovascular. A colonoscopia revela áreas de mucosa pálida, hemorrágica e inflamada, intercaladas com mucosa saudável, confirmando o diagnóstico.

Contexto Educacional

A colite isquêmica é uma condição que resulta da redução transitória ou permanente do fluxo sanguíneo para o cólon, levando à isquemia e inflamação da parede intestinal. É mais comum em idosos e em pacientes com fatores de risco para doença aterosclerótica. A isquemia mesentérica, em geral, pode ser aguda ou crônica, e a colite isquêmica representa uma forma de isquemia intestinal que afeta predominantemente o cólon. A fisiopatologia envolve a hipoperfusão das artérias mesentéricas, que pode ser causada por aterosclerose, embolia, trombose ou estados de baixo fluxo (como choque ou insuficiência cardíaca). O cólon esquerdo, especialmente o sigmoide, é frequentemente afetado devido à sua irrigação sanguínea mais precária (zona de watershed). Clinicamente, os pacientes apresentam dor abdominal súbita (muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico), diarreia que pode ser sanguinolenta ou mucossanguinolenta, e tenesmo. O histórico de doença cardiovascular, como infarto agudo do miocárdio e stents coronarianos, é um forte indicativo. O diagnóstico é frequentemente confirmado por colonoscopia, que revela achados típicos de isquemia, como mucosa pálida, edemaciada, hemorrágica, com úlceras ou placas de inflamação, intercaladas com áreas de mucosa saudável. O tratamento é geralmente de suporte, incluindo repouso intestinal, hidratação intravenosa e, em alguns casos, antibióticos. A maioria dos casos é transitória e se resolve espontaneamente, mas formas mais graves podem levar à necrose, perfuração e necessidade de cirurgia. A identificação precoce é crucial para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para colite isquêmica?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, doença aterosclerótica (coronariana, periférica), fibrilação atrial, uso de vasopressores, estados de baixo fluxo (choque, insuficiência cardíaca) e certas condições trombofílicas.

Como a colite isquêmica se manifesta clinicamente?

A colite isquêmica tipicamente se manifesta com dor abdominal súbita (geralmente no quadrante inferior esquerdo), seguida por diarreia, que pode ser sanguinolenta ou mucossanguinolenta, e tenesmo.

Qual o papel da colonoscopia no diagnóstico da colite isquêmica?

A colonoscopia é crucial para o diagnóstico, revelando achados característicos como mucosa pálida, edemaciada, cianótica, com petéquias, erosões, úlceras e áreas hemorrágicas, frequentemente com um padrão segmentar e poupando o reto.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo