AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
A colite isquêmica é um distúrbio comum que se desenvolve quando o suprimento sanguíneo arterial para o cólon é insuficiente para atender às demandas celulares metabólicas, com diversas repercussões clínicas e alta morbimortalidade. Em relação a este tema, analise as assertivas abaixo: I. Os exames laboratoriais básicos são inespecíficos na colite isquêmica, porém a forma grave está associada a leucograma elevado, altas concentrações de ureia, lactato e diminuição das concentrações de hemoglobina e albumina. II. O suprimento sanguíneo arterial para o cólon é derivado da artéria mesentérica superior e da inferior, porém existem duas redes colaterais bem descritas que auxiliam na prevenção da isquemia e o principal vaso colateral é a artéria marginal de Drummond. III. Toda a irrigação arterial dos cólons e reto é homogênea quanto ao fluxo sanguíneo, pois o calibre das duas artérias mesentéricas é semelhante, não havendo áreas colônicas com predisposição maior a isquemia. IV. Os fármacos indutores de constipação intestinal podem causar colite isquêmica, mais provavelmente como resultado de fluxo sanguíneo reduzido e aumento da pressão intraluminal. V. A região afetada com mais frequência é o cólon direito, predominando no ângulo hepático, seguido pelo ceco, com base no suprimento sanguíneo. Estão corretas as assertivas:
Colite isquêmica atinge áreas de transição vascular (flexura esplênica e sigmoide) por fluxo colateral limítrofe.
A colite isquêmica ocorre predominantemente em 'zonas de transição' vascular. Fatores como hipofluxo sistêmico e aumento da pressão intraluminal (constipação) são gatilhos fisiopatológicos centrais.
A colite isquêmica é a forma mais comum de isquemia intestinal, geralmente decorrente de um estado de baixo fluxo não oclusivo (isquemia mesentérica não oclusiva). Diferente da isquemia mesentérica aguda do intestino delgado, que é frequentemente embólica e catastrófica, a colite isquêmica costuma ter um curso mais subagudo, manifestando-se com dor abdominal súbita seguida de diarreia sanguinolenta. Laboratorialmente, casos graves apresentam sinais de sofrimento tecidual como acidose lática, leucocitose e elevação de ureia. O diagnóstico é sugerido pela TC (espessamento da parede colônica) e confirmado pela colonoscopia, que revela mucosa pálida, petéquias e ulcerações longitudinais. O tratamento na maioria dos casos é conservador com suporte volêmico e repouso intestinal, mas a gangrena ou perfuração exige colectomia de urgência.
As áreas de maior risco são as chamadas 'zonas de watershed' ou zonas de transição entre dois suprimentos arteriais. O Ponto de Griffith (flexura esplênica) é a transição entre a artéria mesentérica superior (AMS) e a artéria mesentérica inferior (AMI). O Ponto de Sudeck (junção retossigmoide) é a transição entre os ramos da AMI e as artérias ilíacas (retais médias). Nestes locais, a rede colateral é menos robusta, tornando-os os primeiros a sofrer em estados de baixo fluxo.
Drogas que induzem constipação ou quadros de obstrução fecal aumentam a pressão intraluminal do cólon. Como o suprimento sanguíneo da mucosa colônica depende de pequenos vasos intramurais, o aumento da pressão na parede do órgão pode comprimir esses vasos, reduzindo o fluxo sanguíneo capilar e levando à isquemia da mucosa, mesmo na ausência de uma oclusão arterial macroscópica.
A artéria marginal de Drummond é uma importante via colateral que corre ao longo da borda mesentérica do cólon, conectando ramos da artéria ileocólica, cólica direita, cólica média (da AMS) e cólica esquerda e sigmoide (da AMI). Ela funciona como um sistema de 'back-up'; se um tronco principal tem fluxo reduzido, a artéria de Drummond tenta compensar a perfusão, embora nem sempre seja suficiente nas zonas de transição.
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