HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2021
Gestante de 16 semanas chega ao pronto-socorro com dor lombar direita há uma hora, de forte intensidade. O exame obstétrico é compatível com o tempo de gestação, sem alterações. O exame de urina apresenta leucócitos de 2000/mL e hemácias de 120.000/mL. A principal hipótese diagnóstica é de:
Gestante com dor lombar aguda unilateral + hematúria → Cólica renal até prova em contrário.
A dor lombar aguda e intensa, unilateral, associada à hematúria em uma gestante, mesmo com leucocitúria leve, é altamente sugestiva de cólica renal. A pielonefrite geralmente cursa com febre e sintomas sistêmicos mais pronunciados, enquanto a ameaça de abortamento seria descartada por exame obstétrico normal. A dilatação fisiológica do ureter é assintomática.
A cólica renal na gestação é uma condição relativamente comum, afetando cerca de 1 em 1500 gestações, e é a causa mais frequente de dor abdominal não obstétrica que requer hospitalização. A fisiologia da gravidez, com a dilatação ureteral fisiológica e a estase urinária, pode predispor à formação ou migração de cálculos renais. A apresentação clínica típica é de dor lombar unilateral aguda e de forte intensidade, que pode ser acompanhada de náuseas, vômitos e disúria. A hematúria é um achado quase universal no exame de urina, e a leucocitúria pode estar presente devido à irritação ou infecção associada. O diagnóstico diferencial da dor lombar na gestação é amplo e inclui condições obstétricas (ameaça de abortamento, trabalho de parto prematuro, descolamento de placenta) e não obstétricas (pielonefrite, apendicite, colecistite, dor musculoesquelética). É crucial realizar um exame físico completo, incluindo avaliação obstétrica, para descartar causas ginecológicas. O exame de urina é essencial para identificar hematúria e piúria. A ultrassonografia renal é o método de imagem de escolha na gestação para confirmar a presença de hidronefrose e, se possível, visualizar o cálculo, minimizando a exposição à radiação. O tratamento da cólica renal na gestação é inicialmente conservador, com foco no alívio da dor e hidratação. Analgésicos como paracetamol são a primeira escolha, e opioides podem ser usados para dor mais intensa. A maioria dos cálculos pequenos passa espontaneamente. Em casos de dor refratária, infecção associada ou obstrução grave, intervenções como a colocação de cateter duplo J ou nefrostomia percutânea podem ser necessárias. A pielonefrite, por outro lado, exige tratamento com antibióticos intravenosos e hospitalização, sendo uma condição mais grave para a gestante e o feto.
Os principais sintomas incluem dor lombar unilateral súbita e intensa, que pode irradiar para a região inguinal ou genitália, acompanhada frequentemente de náuseas, vômitos e disúria. A hematúria microscópica ou macroscópica é um achado comum no exame de urina.
A cólica renal é caracterizada por dor intensa e aguda, geralmente sem febre ou calafrios, e com hematúria proeminente. A pielonefrite, por sua vez, cursa com febre alta, calafrios, dor lombar mais constante e piúria significativa, além de sintomas sistêmicos de infecção.
A conduta inicial envolve analgesia adequada (paracetamol, opioides se necessário), hidratação e investigação diagnóstica. Exames de imagem como ultrassonografia renal são preferíveis na gestação para evitar radiação, buscando identificar a presença de cálculos ou hidronefrose.
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