HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem de 31 anos de idade, previamente hígido, comparece à unidade de emergência com queixa de dor intensa no flanco esquerdo, em aperto ou pontada, sem irradiação, de instalação aguda, associada a náuseas e vômitos. Procurou atendimento há 5 dias com os mesmos sintomas, quando foi liberado da emergência com prescrição de dipirona, cetoprofeno e ondansetrona. Desde então, não apresentou melhora dos sintomas e relata que não ingeriu muitos líquidos hoje. Ao exame físico, os seus sinais vitais são normais, mas tem dor e defesa à palpação do flanco esquerdo. Os exames evidenciaram: creatinina 1,6mg/dL (VR 0,7 - 1,3mg/dL) e urina tipo 1 com hematúria significativa, discreta leucocitúria, nitrito negativo e leucócito esterase negativa. Ultrassonografia de rins e vias urinárias sem alterações. Qual é a conduta indicada neste momento?
Dor em flanco + hematúria + creatinina ↑ + USG normal → Suspeitar litíase obstrutiva, indicar TC abdome.
Em um quadro clássico de cólica nefrética com hematúria e elevação da creatinina, mesmo com ultrassonografia normal, a suspeita de litíase obstrutiva é alta. A tomografia computadorizada de abdome é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, localizar o cálculo e avaliar o grau de obstrução.
A cólica nefrética é uma das emergências urológicas mais comuns, causada pela obstrução aguda do trato urinário por cálculos renais. A dor é excruciante e tipicamente acompanhada de náuseas, vômitos e hematúria. A epidemiologia mostra alta prevalência, especialmente em homens jovens e de meia-idade. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intraluminal acima do cálculo, levando à distensão da cápsula renal e à ativação de nociceptores. O diagnóstico inicial é clínico, mas a confirmação e a avaliação da obstrução requerem exames de imagem. Embora a ultrassonografia seja um bom exame inicial, a tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro para detectar, localizar e caracterizar os cálculos, além de avaliar o grau de hidronefrose e a presença de complicações. A conduta depende do tamanho do cálculo, localização, grau de obstrução e presença de complicações como infecção ou insuficiência renal. A elevação da creatinina neste caso indica uma obstrução clinicamente significativa, justificando a realização da TC para guiar o tratamento, que pode variar de manejo conservador com tansulosina e analgésicos a intervenções urológicas para desobstrução.
A cólica nefrética é caracterizada por dor súbita e intensa no flanco, que pode irradiar para a região inguinal, associada a náuseas, vômitos e, frequentemente, hematúria microscópica ou macroscópica.
A ultrassonografia pode não detectar cálculos pequenos, especialmente aqueles localizados no ureter médio ou distal, ou pode não evidenciar hidronefrose significativa em fases iniciais da obstrução ou em pacientes desidratados.
A elevação da creatinina em um paciente com cólica nefrética sugere obstrução urinária significativa, especialmente se for bilateral ou em rim único, indicando uma insuficiência renal aguda pós-renal que requer intervenção urgente.
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