Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Lactente, sexo feminino, 30 dias de vida, nasceu de parto normal, a termo, com 3000g, apgar 8 e 9. A mãe queixa-se que a filha, há duas semanas, está chorando muito, quase todos os dias, no início da noite. Está em aleitamento materno exclusivo. Relata também que a criança apresenta cerca de 6 a 8 evacuações ao dia, com fezes semipastosas, de coloração amarelada. Na consulta realizada com 10 dias de vida, o peso da criança foi de 2990g. Hoje, pesou 3590g.Diante desse quadro clínico, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta para essa criança.
Choro inconsolável vespertino em lactente com bom ganho ponderal e evacuações normais → Cólica do lactente = tranquilizar e manter AM.
O quadro descrito é clássico de cólica do lactente: choro intenso e inconsolável, geralmente no final da tarde/noite, em bebê saudável, com bom ganho de peso e sem outros sinais de doença. É um distúrbio funcional benigno e autolimitado, que requer principalmente tranquilização dos pais e suporte.
A cólica do lactente é uma condição comum e benigna que afeta até 20% dos bebês nos primeiros meses de vida. Caracteriza-se por episódios de choro intenso, inconsolável e paroxístico, que geralmente ocorrem no final da tarde ou à noite, em um lactente que, fora desses episódios, é saudável e apresenta bom desenvolvimento. É um dos principais motivos de consulta pediátrica e de ansiedade parental. A fisiopatologia da cólica ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma combinação de fatores, como imaturidade do sistema gastrointestinal, disbiose intestinal, intolerância alimentar transitória, temperamento do bebê e fatores psicossociais parentais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Wessel (regra dos 3: choro > 3h/dia, > 3 dias/semana, > 3 semanas) e, crucialmente, na exclusão de outras causas orgânicas de choro excessivo, como infecções, refluxo gastroesofágico patológico ou alergia alimentar. O manejo da cólica é desafiador e foca principalmente no suporte e tranquilização dos pais, explicando a natureza autolimitada da condição. Medidas não farmacológicas incluem técnicas de acalmar o bebê (balanço, contato pele a pele, ruído branco), ajustes na técnica de amamentação e, em alguns casos, dietas de exclusão para a mãe (se amamentando) ou fórmulas especiais (se em fórmula). O prognóstico é excelente, com resolução espontânea geralmente por volta dos 3-4 meses de idade.
Os critérios de Wessel definem cólica como choro intenso e inconsolável por mais de 3 horas por dia, em mais de 3 dias por semana, por mais de 3 semanas, em um bebê saudável e bem nutrido, geralmente com início nas primeiras semanas de vida.
A conduta principal é tranquilizar os pais, explicando a benignidade e autolimitação do quadro. Recomenda-se manter o aleitamento materno exclusivo, evitar superalimentação, e tentar medidas de conforto como contato pele a pele, balanço, massagens e ambiente calmo.
A diferenciação é feita pela ausência de sinais de alerta (febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes, baixo ganho de peso, letargia) e pelo bom estado geral do bebê. Outras causas incluem refluxo gastroesofágico patológico, alergia à proteína do leite de vaca, infecções ou hérnias.
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