SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
José é um lactente de 18 dias que vem em consulta de puericultura, acompanhado de seus pais Laura e João. Eles iniciam a conversa em tom de desespero e referem que José tem apresentado choro inconsolável, principalmente à noite, que chega a durar horas e dizem que o bebê parece ficar se contorcendo. O bebê é o primeiro filho do casal, encontra-se em aleitamento materno exclusivo, foi desejado e seus pais demonstram muito zelo no cuidado. Ao exame físico, o médico percebe ganho de peso adequado e nenhuma anormalidade. De acordo com a etiologia mais provável, a orientação a ser conversada com os pais seria:
Choro inconsolável em lactente < 3 meses, com bom ganho de peso e exame normal = Cólica do lactente.
O quadro clínico de choro inconsolável, principalmente à noite, em um lactente com bom ganho de peso e exame físico normal, é altamente sugestivo de cólica do lactente. A conduta principal é tranquilizar os pais, explicar a benignidade do quadro e orientar medidas de conforto como massagem abdominal.
A cólica do lactente é uma condição comum e benigna, caracterizada por episódios de choro intenso e inconsolável em bebês saudáveis, geralmente com início nas primeiras semanas de vida e resolução espontânea por volta dos 3 a 4 meses. Afeta cerca de 10-30% dos lactentes, sendo uma das principais causas de consulta pediátrica nos primeiros meses. A etiologia da cólica é multifatorial e ainda não totalmente compreendida, envolvendo imaturidade do sistema gastrointestinal, disbiose intestinal, fatores psicossociais e temperamento do bebê. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Wessel e na exclusão de outras causas de choro excessivo, como infecções, refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca ou hérnias. O exame físico é normal, e o ganho de peso é adequado. O manejo da cólica do lactente é primariamente de suporte e educação dos pais. É fundamental tranquilizá-los, explicando que a condição é autolimitada e não prejudica o desenvolvimento do bebê. Orientações incluem técnicas de conforto (massagem abdominal, balanço, ambiente calmo), ajuste da técnica de amamentação para evitar aerofagia e, em casos selecionados, a exclusão de alimentos específicos da dieta materna (ex: leite de vaca) se houver forte suspeita de alergia. O uso de medicamentos como simeticona ou probióticos tem evidências limitadas e não é a primeira linha de tratamento.
A cólica do lactente é diagnosticada pelos critérios de Wessel: choro inconsolável por mais de 3 horas ao dia, em mais de 3 dias por semana, por pelo menos 3 semanas, em um bebê saudável e com bom ganho de peso.
Medidas como massagem abdominal suave, compressas mornas, balanço, contato pele a pele, banho morno, e técnicas de enrolar o bebê (charutinho) podem ajudar a acalmar o lactente durante os episódios de cólica.
Deve-se preocupar se o choro estiver associado a febre, recusa alimentar, vômitos persistentes, diarreia, letargia, irritabilidade extrema, alterações na coloração da pele ou se o bebê não estiver ganhando peso adequadamente.
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