Cólica do Lactente: Diagnóstico e Sinais Chave

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Menina, dois meses, é atendida no setor de emergência com quadro de “muito choro”. Os achados clínicos que mais sugerem o diagnóstico de cólica são:

Alternativas

  1. A) crises de choro com duração de 2 a 6 horas/dia; aparecimento de massa endurada na região inguinal direita durante as crises de choro
  2. B) ganho ponderal ascendente no percentil 10 desde o nascimento; crises de choro que ocorrem preponderantemente pela manhã; choro com duração de 2 horas/dia por 5 dias na semana 
  3. C) perda de peso desviando a da curva de crescimento ao nascimento; choro com duração ode 2 horas/dia por 4 dias na semana; crises de choro que ocorrem preponderantemente no fim da tarde e início da noite 
  4. D) ganho ponderal ascendente no percentil 10 desde o nascimento; choro com duração de 3 a 4 horas/dia por 4 dias da semana; crises de choro que ocorrem preponderantemente no fim da tarde e início da noite 

Pérola Clínica

Cólica do lactente: choro >3h/dia, >3d/semana, >3 semanas, em bebê saudável com bom ganho ponderal, geralmente no fim da tarde/noite.

Resumo-Chave

O diagnóstico de cólica do lactente baseia-se nos critérios de Wessel (regra dos 3s), que incluem choro excessivo e inconsolável em um bebê que, de outra forma, é saudável e apresenta bom ganho ponderal. A cólica é um diagnóstico de exclusão, e a ausência de outros sinais de doença é fundamental.

Contexto Educacional

O choro excessivo em lactentes é uma queixa comum na emergência pediátrica e no consultório, gerando grande ansiedade nos pais. A cólica do lactente é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por episódios de choro intenso, inconsolável e paroxístico, que ocorrem em um bebê que, de outra forma, é saudável e apresenta bom desenvolvimento. Para o residente, é fundamental conhecer os critérios diagnósticos e os principais diferenciais para evitar investigações desnecessárias e tranquilizar a família. Os critérios de Wessel, ou 'regra dos 3s', são a base para o diagnóstico de cólica: choro que dura mais de 3 horas por dia, por mais de 3 dias na semana, por pelo menos 3 semanas. É importante ressaltar que o bebê deve estar saudável, com bom ganho ponderal e sem outros sinais de doença. As crises de choro tipicamente ocorrem no fim da tarde e início da noite, e o bebê pode apresentar flexão das pernas sobre o abdome, distensão abdominal e eliminação de gases. É crucial diferenciar a cólica de outras condições que podem causar choro excessivo, como hérnias (que podem apresentar massa endurada), refluxo gastroesofágico (com regurgitação frequente e irritabilidade pós-alimentar), alergia à proteína do leite de vaca (com alterações nas fezes, vômitos, lesões de pele) ou infecções. A presença de perda de peso ou desvio da curva de crescimento sempre indica uma patologia subjacente e afasta o diagnóstico de cólica. Portanto, a alternativa que descreve o choro com duração e frequência compatíveis com Wessel, o bom ganho ponderal e o período de ocorrência típico é a mais correta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Wessel para o diagnóstico de cólica do lactente?

Os critérios de Wessel, também conhecidos como 'regra dos 3s', definem cólica como episódios de choro que duram mais de 3 horas por dia, ocorrem mais de 3 dias por semana, por pelo menos 3 semanas, em um bebê saudável e bem alimentado.

Por que o ganho ponderal é importante no diagnóstico de cólica?

O bom ganho ponderal é um critério essencial para o diagnóstico de cólica, pois indica que o bebê está saudável e bem nutrido. Se houver perda de peso ou desvio da curva de crescimento, outras causas para o choro excessivo devem ser investigadas, como refluxo gastroesofágico, alergia alimentar ou infecções.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais para choro excessivo em um bebê de 2 meses?

Os diferenciais incluem refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca, hérnias (inguinal, umbilical), infecções (otite, infecção urinária), intussuscepção, torção testicular, corpo estranho, fraturas ocultas e até mesmo causas sociais ou ambientais.

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