ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma paciente de 48 anos, IMC = 35 kg/m², foi submetida a colecistectomia eletiva por colecistolitíase crônica. Após o procedimento, a vesícula biliar foi aberta, evidenciando cálculo único de 3 cm e mucosa de aspecto macroscópico de "vesícula biliar em morango". O provável diagnóstico anatomopatológico macroscópico é de:
Vesícula biliar em morango = Colesterolose (depósitos de macrófagos com colesterol na mucosa).
A colesterolose é uma alteração benigna comum caracterizada pelo acúmulo de ésteres de colesterol em macrófagos na lâmina própria da mucosa biliar, conferindo o aspecto de 'morango'.
A colesterolose biliar é uma variante morfológica da colecistite crônica, embora não seja estritamente um processo inflamatório. É encontrada em até 30-50% das peças de colecistectomia. A patogênese envolve a captação excessiva de colesterol livre da bile pelo epitélio da vesícula, que é então esterificado e armazenado em macrófagos na lâmina própria. Na análise macroscópica, o contraste entre a mucosa congestionada e os depósitos lipídicos amarelados cria o padrão característico que remete à superfície de um morango. Diferencia-se da adenomiomatose, que envolve hiperplasia da camada muscular e formação de divertículos da mucosa (seios de Rokitansky-Aschoff), e dos pólipos neoplásicos (adenomas), que são lesões sésseis ou pediculadas únicas e maiores. O tratamento é a colecistectomia, geralmente indicada pela presença de cálculos associados ou sintomas biliares.
O aspecto de 'vesícula em morango' é causado pela colesterolose. Macroscopicamente, a mucosa da vesícula biliar apresenta-se hiperemiada (avermelhada) com múltiplos pontos amarelados minúsculos distribuídos de forma difusa ou linear. Esses pontos amarelos são depósitos de lipídios (ésteres de colesterol e triglicerídeos) dentro de macrófagos (células espumosas) localizados na lâmina própria das vilosidades da mucosa.
Curiosamente, não há uma correlação direta estabelecida entre a colesterolose da vesícula biliar e os níveis de colesterol no sangue (hipercolesterolemia). Acredita-se que a condição resulte de um desequilíbrio local no metabolismo do colesterol na bile e na sua absorção pela mucosa da vesícula, e não necessariamente de uma doença metabólica sistêmica.
A colesterolose é geralmente um achado incidental em colecistectomias realizadas por cálculos (colecistolitíase) ou pólipos. Por si só, é uma condição benigna e frequentemente assintomática. No entanto, pode estar associada à formação de pólipos de colesterol (pólipos não neoplásicos) e, em alguns casos, pode contribuir para sintomas de cólica biliar mesmo na ausência de cálculos grandes, devido à formação de microcálculos ou disfunção de esvaziamento.
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