UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
Lactente com 1 mês e 20 dias, apresenta icterícia, acolia fecal e colúria. Seu estado geral é excelente, tem ganho ponderal adequado e é alimentado exclusivamente por leite materno. História gestacional, do parto e neonatal sem alterações. O exame de imagem mais adequado para avaliação do diagnóstico diferencial é:
Icterícia + acolia fecal + colúria em lactente → suspeitar colestase neonatal → USG abdominal é 1ª linha.
A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem inicial e mais adequado para investigar icterícia colestática em lactentes, especialmente na presença de acolia fecal e colúria, pois permite avaliar a vesícula biliar, o ducto biliar comum e o parênquima hepático, auxiliando no diagnóstico diferencial de atresia de vias biliares e outras causas de colestase.
A icterícia neonatal é uma condição comum, mas a presença de icterícia colestática (bilirrubina direta > 20% da total ou > 1 mg/dL se total < 5 mg/dL) é sempre patológica e exige investigação imediata. A colestase neonatal, definida como a diminuição do fluxo biliar, pode ter diversas etiologias, sendo a atresia de vias biliares uma das mais graves e que demanda intervenção cirúrgica precoce. A fisiopatologia da colestase envolve a incapacidade do fígado de excretar a bilirrubina conjugada, que então se acumula no sangue e é excretada na urina (colúria), enquanto as fezes ficam claras pela ausência de pigmentos biliares (acolia fecal). O diagnóstico diferencial é amplo e inclui infecções, erros inatos do metabolismo, doenças genéticas e atresia de vias biliares. A suspeita clínica é baseada na icterícia prolongada, acolia fecal e colúria. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de primeira linha para a avaliação inicial da colestase neonatal. Ela pode revelar achados sugestivos de atresia de vias biliares, como vesícula biliar pequena ou ausente, sinal do cordão triangular (fibrose no porta hepático) e ausência de dilatação dos ductos biliares. Outros exames complementares, como cintilografia hepatobiliar e biópsia hepática, podem ser necessários para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta terapêutica, que no caso da atresia de vias biliares é a portoenterostomia de Kasai.
Os principais sinais de alerta são icterícia prolongada (após 14 dias em RN a termo ou 21 dias em pré-termo), acolia fecal (fezes claras) e colúria (urina escura), indicando aumento da bilirrubina direta.
A ultrassonografia é não invasiva, de baixo custo e permite avaliar a morfologia da vesícula biliar, a presença e o calibre do ducto biliar comum, além de características do parênquima hepático, sendo crucial para diferenciar atresia de vias biliares de outras causas.
O diagnóstico precoce da atresia de vias biliares é fundamental para a realização da cirurgia de Kasai antes dos 60 dias de vida, o que melhora significativamente o prognóstico e a sobrevida do paciente, evitando a progressão para cirrose biliar e insuficiência hepática.
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