Colestase Neonatal: Sinais, Diagnóstico e Urgência

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022

Enunciado

Menino nascido a termo há 20 dias, com peso adequado para a idade gestacional, sem intercorrências no parto ou na gestação, é levado à UBS com quadro de icterícia há 4 dias, que tem aumentado de intensidade. Foi observada alteração na coloração das fezes e da urina. O bebê está em aleitamento materno exclusivo. No momento está ativo e afebril; acianótico; descorado +/IV; ictérico +++/IV; auscultas cardíaca e respiratória sem anormalidades; fígado palpável a 1,5cm do rebordo costal direito, com superfície lisa, consistência endurecida; baço palpável a 1,5cm do rebordo costal esquerdo, endurecido. Sem outras alterações ao exame segmentar. Diante do quadro clínico, indique o diagnóstico provável para esse bebê.

Alternativas

  1. A) Icterícia fisiológica
  2. B) Hepatite neonatal.
  3. C) Colestase neonatal.
  4. D) Icterícia do leite materno

Pérola Clínica

Icterícia > 14d + fezes acólicas/hipocólicas + urina colúrica + hepatomegalia → Colestase Neonatal.

Resumo-Chave

A icterícia prolongada (> 14 dias em RN a termo) associada a fezes claras (acólicas ou hipocólicas), urina escura (colúrica) e hepatomegalia/esplenomegalia é um sinal clássico de colestase neonatal, que requer investigação urgente para causas como atresia de vias biliares.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é um achado comum, mas quando se prolonga por mais de 14 dias em recém-nascidos a termo (ou 21 dias em pré-termos), torna-se um sinal de alerta para condições patológicas, incluindo a colestase neonatal. A colestase é definida como a diminuição ou interrupção do fluxo biliar, resultando no acúmulo de bilirrubina conjugada (direta) no sangue. É uma condição grave que exige investigação e tratamento urgentes. O diagnóstico de colestase neonatal é suspeitado clinicamente pela icterícia prolongada, mas os sinais mais característicos são as fezes acólicas ou hipocólicas (claras, esbranquiçadas ou amareladas pálidas, devido à ausência de estercobilina) e a urina colúrica (escura, devido à excreção de bilirrubina conjugada). Além disso, pode haver hepatomegalia e esplenomegalia, como descrito no caso. A confirmação laboratorial se dá pela elevação da bilirrubina direta (> 2 mg/dL ou > 20% da bilirrubina total). A importância de um diagnóstico rápido reside no fato de que a colestase pode ser causada por condições tratáveis, como a atresia de vias biliares (AVB), que requer intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai) idealmente antes dos 60 dias de vida para evitar danos hepáticos irreversíveis e a necessidade de transplante. Outras causas incluem deficiência de alfa-1-antitripsina, infecções congênitas e doenças metabólicas. A icterícia fisiológica e a icterícia do leite materno são diagnósticos de exclusão e não cursam com fezes acólicas ou urina colúrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para colestase neonatal em um recém-nascido?

Os sinais de alerta incluem icterícia prolongada (mais de 14 dias em RN a termo ou 21 dias em pré-termo), fezes claras (acólicas ou hipocólicas), urina escura (colúrica), hepatomegalia e esplenomegalia.

Por que a colestase neonatal é uma emergência pediátrica?

A colestase neonatal é uma emergência porque pode indicar condições graves como atresia de vias biliares, que requer intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai) antes dos 60 dias de vida para preservar a função hepática e evitar cirrose biliar.

Como diferenciar a icterícia do aleitamento materno da colestase neonatal?

A icterícia do aleitamento materno geralmente não causa fezes acólicas ou urina colúrica, e os exames laboratoriais mostram predomínio de bilirrubina indireta, enquanto na colestase há predomínio de bilirrubina direta (conjugada).

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